Coragem

CAUSA: Foi publicada no Diário Oficial uma resolução que reduz a zero a alíquota de importação de arroz, como reação do governo aos recentes preços do produto e consequentes reclamações da população. Embora seja legítima, a medida se faz ineficaz do ponto de vista do impacto nos preços de curto prazo, por alguns motivos: 1. O Brasil importa arroz apenas do Mercosul, cuja alíquota de importação já é zerada; 2. Importação de outras origens demandaria haver oferta excedente, com preços e qualidades adaptadas ao consumidor brasileiro - isso não existe hoje; 3. A resolução limita a redução tarifária a 400 mil toneladas e somente até o final do ano, geral do risco para o importador.

O que podemos tirar de tudo isso? A ideia principal do governo com essa medida era reduzir a pressão sobre os preços do arroz, que é um componente importante na cesta de consumo da população brasileira. Com os pontos que mencionamos acima, parece que isso não vai acontecer. Portanto, na prática, a preocupação com o recente aumento da inflação parece que vai continuar, ou seja, a luz amarela para a condução da política monetária continua acesa de forma que o Banco central pode ficar sem espaço para baixar ainda mais os juros.

CONSEQUÊNCIA: Como o mercado sempre vai na frente, as taxas futuras de juros podem começar a precificar uma alta logo menos e isso pode impactar no dólar, ou seja, juros mais altos, câmbio mais baixo. Mas não se esqueçam que também pode afetar risco pais, e ser o contrario... Parafraseando o ilustre Guimarães Rosa, no clássico Grande Sertão, veredas: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Talvez apenas uma mera coincidência com o comportamento dos mercados financeiros, sobretudo, do dólar, não acham?

Autores

Fernanda Consorte
Economista-chefe

Cristiane Quartaroli
Economista

Welber Barral
Estrategista de ComEx

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