Blog

Sopa De Letrinhas: o que é hedge cambial?

Nas últimas duas semanas, o mercado financeiro suspendeu as negociações da B3 (bolsa de valores de São Paulo) diversas vezes, em um movimento chamado circuit break, que se dá quando a queda é superior a 10%. Enquanto isso, a cotação do dólar caminha na esteira de incertezas vivenciada pelo mundo, que está a mercê da pandemia do novo coronavírus - e de indicadores políticos e econômicos que ajudam a compor o índice da moeda mais usada no mundo.

A moeda americana, que começou o ano cotada a R$ 4,02, já superou os R$ 5 em alguns fechamentos recentes. Mas afinal, como os empresários podem fazer para se proteger destas oscilações?

Uma das opções para assegurar o desempenho dos negócios é o hedge cambial, ferramenta criada para proteger as empresas das flutuações do câmbio em momentos como o atual. Com o hedge é possível fixar as cotações futuras e ajudar a reduzir o risco de uma forma eficiente e segura, além de reduzir os custos operacionais.

Na prática, funciona assim: imagine um empresário que importa eletrônicos e decide comprar um lote de calculadoras para revender os produtos no Brasil. No momento da intenção da compra, o câmbio é de R$ 4,70 e o preço acertado é de US$ 1 dólar por equipamento. Seguindo um planejamento, ele venderá cada calculadora no Brasil por R$ 10 e terá uma margem de R$ 5,30 para arcar com custos locais e conseguir seu lucro.

Contudo, na data da entrega das calculadoras e do pagamento, o câmbio oscilou para R$ 5,20. Imediatamente, o valor da margem cai para R$ 4,80 e isso pode comprometer a lucratividade do negócio, tendo em vista todos os custos da operação. Justamente para evitar esse tipo de surpresa indesejada há o hedge cambial.

Na ocasião do fechamento de um negócio, seja ele uma importação de produtos, venda de commodities ou até mesmo a compra de uma casa no exterior, é possível solicitar o travamento do câmbio na data escolhida. “A ideia é que o cliente jogue fora essa variável que é a taxa cambial e se preocupe em comprar e vender seus produtos”, diz Bruno Foresti, superintendente de câmbio do Banco Ourinvest.

E não existe uma quantia mínima para buscar o hedge cambial. Há vários formatos para atender a necessidade de cada cliente, como NDF, opções de câmbio e swap cambial.

Em resumo, o cliente decide quanto do montante quer proteger e busca no mercado financeiro agentes dispostos a realizar o travamento comercial com base em uma contrapartida. Geralmente, as transações são feitas em dólar, mas é possível fazer o travamento em qualquer moeda.

Bruno explica que o custo do hedge depende da taxa do dólar comercial no momento do fechamento do negócio, do valor transacionado e do prazo da operação.

Segundo o superintendente, o ideal é buscar parceiros que ajudem o cliente a identificar qual a trava de câmbio mais indicada para o seu negócio, com base em variáveis como volume de vendas, prazo, custos fixos da operação e lucratividade desejada. “No Ourinvest, temos uma experiência de 40 anos e ajudamos a encontrar a ferramenta ideal de acordo com as necessidades de cada cliente”, afirma

Um pouco de história

O hedge cambial é uma ferramenta antiga que foi ganhando destaque ao longo dos anos. A busca de hedge, ou proteção contra oscilações inesperadas nos preços, começou no século XIX no mercado de commodities agrícolas de Chicago, nos Estados Unidos. Agricultores e pecuaristas que levavam produtos à cidade temiam quedas súbitas nas cotações no caso de a oferta ser muito superior à demanda. Para evitar isso, os os preços passaram a ser negociados antes da entrega. Essa foi a origem das operações a termo. Depois, essas operações foram aperfeiçoadas e deram origem aos modernos derivativos, hoje comuns no mercado financeiro. Nos próximos conteúdos você saberá mais sobre eles. Não deixe de acompanhar!

Siga o Banco Ourinvest

Logo LinkedinLogo FacebookLogo InstagramLogo TwitterLogo YoutubeLogo Spotify

Conteúdos relacionados

15/9/21

Blog

5 coisas que você deve saber sobre o IBAN

Ao tentar realizar transações internacionais é natural que você se depare com inúmeras siglas, que podem dar a impressão equivocada de qu...

Leia mais

9/9/21

Blog

7 podcasts sobre economia e negócios que você não pode perder

Mais de 35 milhões de brasileiros já são adeptos aos podcasts, segundo uma estimativa recente da Associação Brasileira de Podcasters...

Leia mais

Categorias

Nossa equipe de economistas

Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

Veja mais

Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

Veja mais

Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

Veja mais