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Selic em alta: como o hedge cambial pode ajudar seu negócio?

O Comitê de Política Monetária(Copom) do Banco Central anunciou a elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic passou de 2,75% para 3,5% ao ano. Mas como esses 0,75% de elevação impactam no dia a dia de pessoas e empresas e como o hedge cambial pode ajudar?

Para Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, o primeiro passo é compreender o contexto econômico. Essa é a segunda vez consecutiva que o Copom eleva a taxa de juros e a tendência de alta continua.

“Esses ajustes aconteceram por conta de um repique da inflação nos últimos meses, que culminou em aumentos expressivos de alimentos e aluguel, por exemplo. A alta da Selic é uma tentativa de controlar a inflação”, explica.  

Quando o Banco Central eleva a taxa de juros é esperado um movimento de desaceleração econômica. “Com juros mais altos você esfria a atividade econômica, reduz investimentos e diminui a demanda interna. Com isso, há uma redução da inflação por demanda”, diz Barral.

Além disso, ao aumentar a taxa é esperado um aumento de ingresso de capital estrangeiro por conta do cenário mais atrativo para os investidores.

“O resultado disso é mais dólar em circulação e uma queda da taxa de câmbio. Com isso, os produtos importados ficam mais baratos por aqui. Outra consequência é o menor incentivo à exportação, como carne por exemplo, para que ela não seja mais tão atrativa e os volumes em solo nacional sejam ampliados. Dessa forma, haveria uma queda no valor desses produtos”, explica Barral.

Ele frisa que nada disso acontece do dia para a noite. O Banco Central observa o comportamento do mercado e a cada 40 dias se reúne para avaliar a Selic. “O importante é destacar que a taxa de juros é apenas uma parte da economia, que está composta por muitas outras variáveis, como índice de confiança, avanço ou controle da pandemia, cenário internacional e questão política interna”, avalia o executivo.

Selic e câmbio

A alta da Selic está ligada diretamente à queda da cotação do câmbio. Para se ter uma ideia, antes da reunião de março, que definiu a primeira alta da taxa de juros este ano, o dólar estava em um patamar de R$ 5,70. Logo depois da nova taxa, o câmbio ficou transitando na casa dos R$ 5,50.

“Agora, depois da nova alta, o dólar caiu e estamos em torno de R$ 5,30. Apesar da tendência ser de queda, não é possível afirmar que o dólar vai seguir assim. Vivemos um ano de muita volatilidade e há muitos fatores nessa equação”, diz.

O Banco Central já sinalizou que há uma expectativa que o Copom continue aumentando a Selic, e, se isso se mantiver, o câmbio pode cair mais ainda. Segundo o relatório Focus, o patamar esperado para o fim do ano é de R$ 5,20.

“Se tiver uma terceira onda da pandemia, uma nova crise internacional ou agravamento da crise política no Brasil, essa tendência pode se alterar. Não podemos fazer previsões, mas podemos falar de tendências”, diz Barral.

Hedge cambial x Selic mais alta

Justamente por conta dessa falta de previsibilidade, o hedge cambial entra em cena com mais força, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. Seja para pagar mensalidades de cursos no exterior, comprar imóveis fora do País ou para importar e exportar produtos, a ferramenta é uma aliada.

Barral explica que o conceito de hedge está atrelado à proteção, à cobertura. “Nesse contexto de incertezas, ter um mecanismo que possibilita segurança é fundamental e isso pode ser a diferença entre prejuízo ou lucro em uma operação comercial”, avalia.

Ele defende que a contratação do hedge é importante tanto para quem exporta, quanto para quem importa. Como a tendência é de queda no câmbio, os exportadores podem se beneficiar de uma trava de câmbio neste momento e garantir um patamar mais alto.

“Quem tem previsão de exportar em agosto, setembro, ou até dezembro, pode fazer o hedge cambial agora para receber mais reais para seus dólares negociados à frente no tempo”, diz.

No caso das empresas importadoras, o interesse é mitigar essa volatilidade. “Por exemplo, pense em uma empresa de produtos químicos com um contrato para pagar de US$ 1 milhão de dólares em 90 dias. Ela pode estar apostando em uma tendência de queda da taxa de câmbio, mas imagine que na semana do pagamento aconteça um repique da moeda, que passa de R$ 5,30 para R$ 5,40. Isso pode significar uma perda de R$ 100 mil. Um custo muito mais alto do que o hedge”, diz o executivo.

Ele defende que as empresas precisam focar no negócio central: comprar e vender produtos. “A questão cambial não está no foco e nem deve ser a preocupação central dos empresários. Com o hedge cambial, há uma garantia, uma previsibilidade valiosa nesse cenário atual”, finaliza Barral.

O Banco Ourinvest se dedica exclusivamente à área de câmbio e é referência no mercado com experiência demais de 40 anos no mercado. Temos soluções personalizadas para atender todos os perfis de clientes. Entre em contato com a gente!

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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