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Rcep: como o maior acordo de comércio mundial pode afetar o Brasil?

O maior acordo de livre-comércio do mundo foi firmado nas últimas semanas. Depois de quase uma década de negociações, a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP na sigla em inglês) foi assinada por líderes asiáticos. Apesar de ser literalmente do outro lado do mundo, o acordo traz implicações que podem afetar os negócios da América Latina e do Brasil.

A RCEP eliminará tarifas de importação pelos próximos 20 anos. O acordo também inclui regulações sobre propriedade intelectual, telecomunicações, serviços financeiros, comércio eletrônico e serviços profissionais.

A parceria inclui os dez membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático, além de China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia e é maior que tratados como União Europeia e o Acordo Estados Unidos-México-Canadá, por exemplo. Para se ter uma ideia, os países membros somam quase um terço da população mundial e 29% do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.

Segundo Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, há duas preocupações que devem ser levadas em conta pelos empresários brasileiros diante desse novo cenário: um eventual desvio de comércio que pode limitar o crescimento das exportações da América Latina para a Ásia e uma elevação de competitividade por meio de acordos bilaterais.

“Alguns produtos nacionais exportados estão abrangidos nesse acordo. Isso pode fazer o Brasil perder vantagens tarifárias na região", avalia.

Barral destaca que o Mercosul terá que procurar avançar nos acordos com a Ásia para se proteger. “Hoje, há dois acordos em negociação, o Mercosul-Coreia e o Mercosul-Cingapura. São negociações lentas, mas poderiam ir adiante para gerar mais acessos a esses mercados”, avalia.

Em contrapartida, empresas brasileiras que, eventualmente, decidam se instalar em algum dos países abrangidos pelo acordo podem se beneficiar de uma plataforma de expansão na Ásia.

Em suma, as regras comuns irão ajudar as empresas latino-americanas, com presença na Ásia, a fazerem negócios por lá. A questão é saber se os países latino-americanos buscarão uma integração com a Ásia individualmente ou em conjunto, como por meio da Parceria Transpacífica ou do Mercosul.

A eterna disputa entre China e Estados Unidos

A ideia da RCEP nasceu em meados de 2012 e na ocasião foi vista como uma forma da China, maior importadora e exportadora da região, se opor à influência que os Estados Unidos vinham exercendo ali durante o governo de Barack Obama.

Segundo Barral, “a conclusão do acordo acaba sendo uma grande vitória da China em um cenário de tensão constante com os Estados Unidos”. O gigante asiático está bem posicionado para influenciar as regras comerciais e expandir sua influência na Ásia-Pacífico. Resta esperar os próximos capítulos da disputa agora que os norte-americanos tem um novo presidente.

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Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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