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Pós-pandemia: onde os exportadores devem buscar novos mercados?

Há muitos anos, China, Estados Unidos e os países da América Latina são os destinos mais frequentes das exportações brasileiras. Em 2019, os três blocos responderam por mais da metade das exportações nacionais.

Apesar da relevância desses destinos ser inquestionável, a pandemia do novo coronavírus está ajudando a redesenhar o mapa de possíveis novos compradores. Alguns fatores ajudam a explicar isso.

A América Latina, especialmente a Argentina, está passando por uma severa dificuldade econômica e deve ter retração de 10% em2020. Enquanto isso, os Estados Unidos ainda assistem à escalada do vírus e devem amargar queda de 3% neste ano. A Europa, por sua vez, anda em compasso de recuperação diferente em cada um dos países.

Nesse contexto, a Ásia ganha ainda mais destaque, sendo confirmada como o novo centro dinâmico da economia internacional. Previsões do Banco Mundial dão conta de que o crescimento da China deve alcançar 2% em 2020,impulsionado pelos gastos do governo, exportações fortes e pela baixa taxa de novas infecções por coronavírus desde março. Ainda que abaixo dos últimos anos, a previsão é positiva.

O Banco Mundial estima ainda que a região do Leste Asiático e Pacífico, que compreende a China, deve avançar 0,9% neste ano, enquanto a grande maioria dos países prevê quedas expressivas por conta da pandemia.

Para Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, o problema global de saúde por conta da Covid-19 vai reconfigurar o comércio exterior. “A perspectiva é que em dois a quatro anos aconteça um forte aumento de demanda na Ásia, centrado na China, mas adjacente aos países da região, como Tailândia, Indonésia e Vietnã”, diz.

Isso porque a região concentra o maior dinamismo, poder de consumo e continuidade de aumento de renda. “O Brasil é um grande exportador de proteína e o aumento de renda na Ásia é uma grande oportunidade. Mais renda significa mais carne na mesa e estamos falando de uma classe média, só na China, com pelo menos 600 milhões de pessoas”, explica Barral.

Onde estão os desafios para exportar para a Ásia

Ao mesmo tempo em que o mercado asiático se mostra cada vez mais promissor, os desafios também são importantes. “A grande maioria dos exportadores brasileiros não está presente na China, nem na Ásia. As exportações mais relevantes ficam por conta de grandes empresas, muitas vezes multinacionais”, explica Barral.

Ele aponta que o desafio está em abrir novos mercados. Isso inclui o desenvolvimento de relacionamento, clientela, questões de distribuição e de crédito, por exemplo. Para o estrategista, preparar-se para atuar na Ásia é um projeto de médio a longo prazo.

Além disso, os exportadores devem ficar atentos comas diferenças de burocracia ao negociar com os asiáticos. Depoimentos de empresários que tiveram problemas com clientes chineses não são raros. “O desconhecimento é um obstáculo. As normas, leis e até o idioma são desafios”, diz Barral.

Por isso, contar com uma assessoria é um grande diferencial nesse caso. O Banco Ourinvest tem experiência de mais de quatro décadas em comércio exterior e pode atuar em várias etapas do processo de exportação, desde propor alternativas competitivas, fazer a ponte com os clientes, ajudar nos contratos e estruturar hedge com a moeda local. “Tudo isso colabora para ter um custo extremamente competitivo”, afirma Barral.

Além disso, o Banco Ourinvest é a única instituição brasileira que faz parte do FCI (https://fci.nl/en), órgão global de factoring composto por 400 bancos, que permite que uma operação internacional seja dividida entre dois bancos. “Principalmente para esses mercados não convencionais, como Tailândia e Vietnã, essa é uma garantia importante de crédito”, explica o executivo.

Uma dependência que não preocupa

Em uma recente coletiva de imprensa, o secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, afirmou que não há preocupação do governo sobre uma possível dependência comercial do continente asiático.

“Essa concentração excessiva na Ásia é um fenômeno conjuntural. A Ásia tem uma participação importante não só na pauta de comércio do Brasil, mas basicamente em todos os países do mundo. Isso é mais do que um fenômeno localizado no Brasil, isso é um fenômeno global”, afirmou.

Para o secretário, como as exportações brasileiras têm maior foco nos produtos agropecuários e a Ásia é a primeira região a se recuperar dos prejuízos econômicos causados pela pandemia de Covid-19, é “natural que essa concentração de vendas aumente”.

Na avaliação de Ferraz, o continente europeu e os Estados Unidos também devem se recuperar em breve e as exportações de outros produtos – sobretudo os industrializados – podem ganhar mais peso na pauta exportadora brasileira.

Para Barral, o que os exportadores devem ter em mente é que apesar de novos mercados serem necessários, a manutenção dos territórios já contemplados é fundamental. “Não é hora de substituir destinos, mas sim adicionar novos compradores. Ainda que seja necessário reduzir margens, não aconselho que ninguém abandone mercados já existentes”, finaliza o executivo do Banco Ourinvest.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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