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Por que o euro não para de subir?

A cotação do dólar costuma ser uma das primeiras preocupações do mercado financeiro quando começa o dia, mas o euro também tem um impacto importante nas negociações brasileiras. A moeda forte da Europa alcança valores maiores a cada dia, em tempos de novo coronavírus e enfraquecimento da economia global.

Para se ter uma ideia da escalada do euro, em 8 de abril, a moeda era cotada a R$ 5,56. Mas desde a segunda quinzena do mês, começou uma escalada que já ultrapassou os R$ 6,40 nos últimos dias.

A Comissão Europeia prevê uma "recessão de proporções históricas" nos países que compõem o bloco econômico, devido à crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. A economia da zona do euro deve cair 7,75% este ano. O Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro já caiu 3,8% no primeiro trimestre de 2020. Mas, afinal, se a economia europeia está tão fragilizada, por que observamos o aumento da cotação do euro no Brasil?

Primeiro é fundamental entender o que está acontecendo na Europa. Países importantes da região foram epicentro da pandemia, como Espanha e Itália. Além disso, outras potências como Alemanha e Portugal também vivenciaram o isolamento social imposto para tentar conter a expansão do vírus. Por isso, assim como em todo mundo, houve uma desaceleração importante no consumo e a necessidade de intervenção do governo para estimular a economia.

“Esse cenário, por si só, adiciona risco e provoca desvalorização do euro frente ao dólar. Consequentemente, isso afeta o real, que é a moeda mais desvalorizada entre os países emergentes”, explica Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de Câmbio, do Banco Ourinvest. “Temos que ter em mente que o dólar é a moeda soberana no Brasil e baliza nossas outras cotações”, diz.

Segundo ela, a tendência é que esse cenário se mantenha. “Os riscos ainda estão na mesa à medida em que a zona do euro está reabrindo a economia e há uma possibilidade de segunda onda de contaminação. O mercado está de olho para ver se esse movimento de reabertura não foi precipitado”, diz Fernanda.

De qualquer forma, ainda que as incertezas existam, a Europa é composta por países ricos, com bolsão de recursos disponíveis e planos concretos para recuperação. “O Banco Central Europeu tem condições de salvaguarda e, apesar dos riscos, garante estabilidade para os investidores”, afirma a economista.

Situação que é diferente no Brasil. Com os cortes recentes na taxa básica de juros, o Brasil virou um ambiente duvidoso para investidores estrangeiros. Além disso, a atividade econômica de diversos setores do país tem se diluído em função do agravamento da pandemia do novo coronavírus e a crise política não se mostra nada convidativa.

Para Yvon Gailard, economista e cofundador da Dootax, startup de simplificação tributária, antes mesmo da crise do coronavírus, o governo brasileiro já dava sinais de que manteria a taxa básica de juros em patamares baixos e que a cotação das principais moedas se manteria em alta, sem grandes intervenções. “Isso, por si só, já nos tornava um mercado pouco atrativo e especulativo para o investidor estrangeiro. Com a pandemia, tudo foi intensificado e houve essa migração para mercados com nível de segurança maior, como a Europa”, explica.

O economista defende que, em tempos de crise, o investidor busca liquidez e que esse é um movimento internacional. “Por aqui, há uma venda de títulos em real para sair do nosso mercado. Com isso, há mais real na economia e menos demanda de moeda estrangeira. Pela oferta e demanda, as cotações do euro e dólar acabam subindo”, diz.

Para Fernanda, apesar da situação delicada na Europa, o Brasil está em uma situação de mais risco. “Vamos conviver com uma moeda depreciada por bastante tempo”, finaliza ela.

Como fica a balança comercial?

A taxa de câmbio também acerta em cheio as importações e exportações. Segundo previsão do Ministério da Economia, o desaquecimento da economia mundial, agravado pela pandemia de coronavírus, fará com que o comércio exterior brasileiro fique US$ 49,7 bilhões menor do que no ano passado.

De acordo com a projeção divulgada, a soma de exportações com importações no Brasil será de US$ 353 bilhões em 2020 - o menor valor desde 2016, quando o fluxo comercial do país ficou em US$ 322,8 bilhões. Para a área econômica do governo, as exportações terão queda de 11,4% ante o ano anterior, e as importações serão 13,6% menores.

A Europa é um importante parceiro comercial do Brasil. Em 2019, os países europeus realizaram US$ 33,3 bilhões em exportações e US$ 30,9 bilhões em importações. Os produtos mais exportados para a Europa são soja, café, minérios de ferro e seus concentrados, e celulose. Na lista de importados estão medicamentos e produtos manufaturados.

Para Yvon, em um primeiro momento, a valorização do euro pode até ajudar uma retomada brasileira quando a pandemia for controlada. “Um câmbio nesse patamar é até estratégico para uma retomada mais rápida e pode ajudar nas exportações. Vamos precisar de um motor externo para girar a economia”, diz.

A oscilação de preços dos produtos será inevitável. Além disso, os volumes também devem sofrer alterações, por conta da queda na demanda. Uma forma de minimizar os riscos cambiais é usar a ferramenta de hedge cambial, criada para proteger as empresas das flutuações do câmbio, em momentos como o atual. Com o hedge é possível fixar as cotações futuras e ajudar a reduzir o risco de uma forma eficiente e segura, além de diminuir os custos operacionais.

Segundo João Costa Pereira, head of Trade Finance, do Banco Ourinvest, o momento requer paciência e capacidade de buscar novas oportunidades. “Há problemas de demanda e de oferta. Na frente das importações temos observado dificuldades para conseguir insumos e a tendência global é a diversificação da cadeia de fornecimento”, explica. “Já nas exportações, a desvalorização do real criou uma enorme oportunidade e a Europa é seguramente um target a considerar. O desafio é monitorar os riscos e assegurar a boa cobrança, pontos em que o Banco Ourinvest pode atender e fazer a diferença”, diz.

Por isso, o Banco Ourinvest listou algumas dicas para ajudar exportadores e importadores brasileiros a passarem por esse momento desafiador. Confira no link.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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