Blog

Os três possíveis cenários para a economia em 2021

A pandemia está desenhando uma nova ordem mundial. O isolamento social, o choque de ofertas e as políticas para amenizar os danos econômicos ao redor do mundo foram as pautas principais nos últimos meses. A questão agora é como encontrar o tal do novo normal e entender como ficam as questões internas e de comércio exterior.

Para ajudar a compreender esse cenário, o Banco Ourinvest realizou uma coletiva de imprensa com três especialistas da instituição renomados em questões econômicas. Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, e Cristiane Quartaroli, economista e estrategista de Câmbio do Banco Ourinvest, conversaram com jornalistas para traçar possíveis cenários para 2021.

Para Fernanda, o pior já passou. “Ainda assim precisamos ser realistas. Temos um caminho longo a ser seguido. Em um cenário base, a questão internacional é dominada pela relação conturbada entre Estados Unidos e China e no Brasil é pautada pela necessidade de reformas, especialmente a fiscal”, avalia.

Ela acredita que a vacina para gerar imunidade ao coronavírus é o ponto de partida da discussão. Em um cenário base, a economista-chefe acredita que no primeiro trimestre boa parte da população global estará vacinada. “Se isso se consolidar, a pandemia começa a ser erradicada, a segunda onda na Europa não preocupa tanto e a economia volta a rodar”, diz.

Uma vacinação em massa seria benéfica para retomada econômica, o que colocaria a China como protagonista e abriria espaço para os emergentes. “Nesse cenário, quem tiver uma história boa para contar acaba atraindo esses recursos e há uma chance para o Brasil, caso haja a reafirmação do compromisso com a reforma fiscal”, afirma Fernanda.

O desafio também está presente no cenário interno. Considerando o desgaste no governo atual pode ser difícil que haja um empenho integral na história fiscal. “A queda de braço ainda deve seguir e isso deve dificultar a entrada de capital estrangeiro. Por isso, a taxa de câmbio ainda segue pressionada e deve terminar 2021 no patamar perto de R$ 5 e longe do pré-crise”, diz a economista-chefe.

No cenário mais provável defendido pelos especialistas do Banco Ourinvest, o mercado trabalho registrará uma melhora de forma lenta ao longo do próximo ano. A taxa de desemprego está perto dos 14%, mas o desalento (pessoas que desistem de procurar trabalho) ainda está muito alto.

“Com isso, estimamos uma recuperação econômica tímida, com crescimento de 2,5% do PIB em 2021. E há um descompasso entre as áreas. Setores ligados a serviços e mão de obra devem demorar mais para voltar do que tecnologia, por exemplo”, diz Fernanda.

O cenário base ainda estima uma ligeira alta da inflação, o que deve elevar a taxa básica de juros para perto de 4% no fim do ano que vem.

“A verdade é que teremos uma impressão de melhora do mercado no próximo ano, mas vamos continuar com momentos amargos por conta das decisões do governo. É um cenário melhor, mas tão pouco muito róseo”, avalia.

Segundo Cristiane, o Banco Ourinvest trabalha com outros dois cenários: um mais otimista e um pessimista. Para que uma visão mais positiva se concretize, a pandemia precisa ser controlada o quanto antes e a vacinação em massa deve começar a acontecer ainda em 2020.

Com a economia global reaquecendo a partir da erradicação do novo coronavírus, os emergentes também ganham foco para atender às demandas globais e há um aumento de apetite ao risco. Com mais fluxo de capital poderia haver uma apreciação do câmbio e o real se valorizar para um patamar entre R$ 4,20 e R$ 4,50.

“Com a reabertura de todos os países, a gente voltaria a ver crescimento mais sustentável. Nesse cenário ideal, poderíamos ter uma alta de 4% do PIB em 2021, uma recuperação mais parruda. Mas isso também requer que o governo dê continuidade à agenda econômica e acelere as reformas para garantir um quadro fiscal mais ajustado”, explica a economista e estrategista.

Há ainda um outro cenário que prevê momentos mais difíceis. Caso a vacinação não comece em breve, e haja uma segunda onda na Europa, EUA e Brasil, pode existir a necessidade de novas medidas de isolamento, o que culminaria em economias fechadas e forte aversão ao risco.

“Com isso, cairia o ingresso de fluxo de investimento e o câmbio iria para perto de R$ 6. O governo brasileiro tenderia a adotar novas medidas populistas, com mais auxílio-emergencial, e a agenda ficaria sem espaço para reformas”, afirma Cristiane.

Nesse contexto, o problema fiscal se aprofundaria e haveria uma recessão ainda maior, com crescimento do PIB ao redor de 1% em 2021. “Adicionalmente, a inflação aumentaria e a Selic deveria ser ajustada para um patamar mais alto, de cerca de 5,5% ao fim do próximo ano”, diz Cristiane.

As possibilidades para o comércio exterior

O saldo da balança comercial brasileira está em evolução e pode até dar uma sensação de que as notícias são positivas. No entanto, os dados precisam ser observados com cautela.

A queda das importações, que reflete a redução da atividade industrial, e a maior dependência de exportações para China são os principais motivos para a evolução da balança comercial neste ano.

Segundo Barral, a previsão em um cenário base é de que haja a continuidade da exportação de commodities, mas o preço deve ser mais equilibrado em virtude da redução do pagamento de prêmio, principalmente, para as commodities agrícolas.  

“Acredito em um nível alto de exportações e em crescimento de importação de insumos, o que levaria um superávit importante de US$ 45 bilhões em 2021”, diz.

Em um cenário otimista, Barral acredita que pode haver uma melhora geral na exportação de manufaturados para os Estados Unidos, onde o Brasil teria participação.

“Isso permitiria aumentar o saldo das exportações. Por outro lado, um avanço da economia brasileira elevaria a importação de insumos e de equipamentos para recompor o parque industrial por conta de um aumento de fluxo de comércio. Nesse contexto, o superávit ficaria em cerca de US$ 40 bilhões no ano que vem”, avalia Barral.

Por último, o cenário pessimista também não pode ser totalmente descartado. Para o estrategista, caso haja um aumento da dependência de exportação de commodities e uma dificuldade de retomar a exportação de manufaturados, isso levaria a superávit de US$ 42bilhões, mas com um fluxo comercial menor.

Barral pondera que a questão do comércio exterior é uma das mais complicadas porque leva em conta a combinação de uma série de fatores cambiantes no cenário internacional. A relação entre Estados Unidos e China, o início efetivo da vacinação na Europa, as dificuldades da Argentina e a reputação dos emergentes entram nessa conta.

“Medidas de comércio exterior não são tomadas de um dia para o outro. Mesmo que haja sinais de implementações e melhorias, isso leva um tempo para ser incorporado nas relações comerciais e talvez não haja impacto relevante em 2021”, finaliza.

Confira as projeções:

No items found.

Siga o Banco Ourinvest

Logo LinkedinLogo FacebookLogo InstagramLogo TwitterLogo YoutubeLogo Spotify

Conteúdos relacionados

15/9/21

Blog

5 coisas que você deve saber sobre o IBAN

Ao tentar realizar transações internacionais é natural que você se depare com inúmeras siglas, que podem dar a impressão equivocada de qu...

Leia mais

9/9/21

Blog

7 podcasts sobre economia e negócios que você não pode perder

Mais de 35 milhões de brasileiros já são adeptos aos podcasts, segundo uma estimativa recente da Associação Brasileira de Podcasters...

Leia mais

Categorias

Nossa equipe de economistas

Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

Veja mais

Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

Veja mais

Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

Veja mais