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Os possíveis cenários para o comércio exterior com o novo presidente americano

Nas últimas semanas, a expectativa pelo resultado das eleições americanas movimentou os mercados ao redor do mundo. Agora, com o resultado definido, ainda que Donald Trump não reconheça sua derrota formalmente, os olhares se voltam para o que acontecerá com os Estados Unidos - e o mundo - sob o comando de Joe Biden.

Como uma das maiores potências e fio condutor da economia global, a cadeira de Biden está entre as mais importantes do mundo e deve ajudar a escrever a história, ao menos nos próximos quatro anos. Mas, afinal, como a nomeação do novo presidente americano deve impactar as relações de comércio exterior?

Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, avalia que o resultado da eleição traz um efeito positivo para o mundo, pois espera-se um governo menos ortodoxo e mais previsível.

“Isso não quer dizer que questões importantes como a disputa entre China e Estados Unidos, o protecionismo e a reforma da OMC (Organização Mundial do Comércio) vão desaparecer. Mas a expectativa é de que governo Biden não tome medidas de um dia para o outro, como o governo Trump, e isso dá mais previsibilidade”, avalia.

Em contrapartida, Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, acredita que a chegada do novo comandante americano pode suscitar dúvidas no mercado em relação a uma condição de algum isolamento do Brasil no cenário internacional. “A política externa brasileira tem maior afinidade com Trump e a vitória de Biden pode reduzir isso”, diz.

Isso não quer dizer, necessariamente, que o Brasil corre riscos iminentes de perder um parceiro comercial. Os Estados Unidos só perdem para China em relações comerciais com os brasileiros e na última década manteve o comércio bilateral estável. “Basicamente são US$ 60 bilhões de fluxo comercial bilateral. Acredito que não deve haver nem muito aumento, nem muita queda no volume de importações e exportações entre os dois países no próximo ano”, avalia Barral.

Todo mundo de olho na questão ambiental

Um ponto de atenção, entretanto, é a questão ambiental. Incêndios no Pantanal, desmatamento na Amazônia e outros acontecimentos que atraíram olhares para o Brasil nos últimos meses podem ganhar um peso -- negativo, diga-se de passagem, maior.

“Biden sinalizou que vai voltar para o Acordo de Paris, tratado que rege medidas relacionadas à mudança climática, e isso aumenta a pressão no Brasil em temas ambientais, como hoje já existe com a Europa”, diz Barral.

O estrategista, que já ocupou o cargo de secretário de Comércio Exterior do Brasil, está atento à postura que o Brasil vai tomar para mostrar que está adotando medidas de proteção ao meio ambiente. “Não é eficaz ameaçar jogar pólvora nos Estados Unidos”, avalia.

Cristiane concorda que as relações comerciais com os Estados Unidos dependem de como as autoridades vão lidar com isso. “Se adotar uma postura de confronto contra o governo Biden, a deterioração pode até, no limite, levar a algumas sanções ao Brasil. Mas a aposta dos especialistas é de que o pragmatismo deve acontecer e as relações internacionais entre Brasil e EUA devem seguir de forma mais tranquila”, diz a economista.

A pandemia continua

Um outro ponto que merece atenção especial é a pandemia. O volume recorde de casos nos Estados Unidos pode afetar o consumo e inibir importações. “Isso independe de quem ganhou a eleição. É uma questão global sem data para acabar”, diz Cristiane.

De acordo com um relatório divulgado pela Amcham Brasil, o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos até o mês de setembro registrou, em 2020, o pior resultado dos últimos 11 anos. Entre janeiro e setembro, os dois países transacionaram 33,4 bilhões de dólares, uma redução de 25,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

O ambiente pandêmico que encolheu as economias ajuda a explicar os números, mas também há um fator que envolve uma política protecionista do mandatário americano que, por exemplo, restringiu a entrada de produtos da siderurgia brasileira para proteger a indústria nacional.

Por outro lado, a questão cambial também entra nessa conta. A previsão é de que, ao menos no curto prazo, os emergentes se beneficiem com um dólar mais fraco e as commodities apareçam em alta devido à percepção de menor risco de desglobalização.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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