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O que muda na economia com a selic mais baixa?

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) reduziu a Selic, em 0,5 ponto percentual. Agora, a taxa básica de juros brasileira é de 3,75%. Mas, afinal, como isso impacta a economia do país?

A decisão influenciada pelo efeito do coronavírus é a sexta baixa consecutiva e leva o índice ao menor patamar da história. É importante lembrar que todas as taxas de juros do mercado e de bancos são norteadas pela Selic. “Sendo assim, qualquer mudança nos números afeta desde grandes operações de empresas e bancos até o preço do café da esquina, impactando no bolso do brasileiro”, diz Cristiane Quartaroli, economista e estrategista de Câmbio do Banco Ourinvest.

A redução da Selic acontece em um momento de derretimento da Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, que desde o começo do ano apresenta queda superior a 40%. O temor dos especialistas é que haja uma redução na oferta de bens e serviços por conta do fechamento de empresas, inoperabilidade do sistema de transporte e movimentação de bens. Além disso, é esperada uma queda abrupta na demanda por causa da interrupção ou redução do pagamento de salários dos funcionários e pela consequente redução do poder de compra dos cidadãos.

“Na prática, a redução da Selic tem o objetivo de incentivar o consumo em um momento crítico”, explica Cristiane. Com a taxa reduzida, o crédito se torna mais acessível. Empresas tendem a precisar de capital de giro e as pessoas físicas podem pagar mais barato por empréstimos. Isso ajuda a movimentar a economia e estimular o consumo.

A economista afirma ainda que o pagamento das dívidas fica mais barato com a nova taxa e com isso a inadimplência tende a cair no médio prazo. Atualmente, o número de pessoas com contas em atraso fica próximo dos 64 milhões.

A taxa básica de juros serve ainda como o principal instrumento do BC para manter a inflação sob controle, próxima à meta estabelecida pelo governo.

Como ficam os investimentos e o câmbio?

Em contrapartida, a redução da Selic desestimula o investimento em renda fixa, uma vez que o retorno dos títulos públicos, principalmente, fica mais baixo. “A tendência é que os investidores locais e estrangeiros procurem possibilidades mais atrativas com melhores ganhos financeiros”, diz Cristiane.

Nessa esteira, juros e câmbio andam na contramão. Enquanto o primeiro desce, o segundo tende a subir. “Com os investidores deixando o Brasil em busca de investimentos mais atrativos haverá menos dólares em circulação por aqui e isso acaba encarecendo a moeda”, diz Cristiane. Porém é importante lembrar que há outros fatores que influenciam no câmbio, como a situação da política interna e o comportamento global.

Os efeitos da nova Selic não são instantâneos e, geralmente, levam um tempo até que a mudança cause impacto real. Ainda assim, alguns bancos já anunciaram redução de taxas e a nova configuração chega em um momento de extrema fragilidade do mercado e da sociedade como um todo.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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