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O que é paridade do poder de compra?

Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e pão com gergelim. A receita do Big Mac, o lanche mais famoso do Mc Donald’s, é replicada da mesma forma em todos os países onde a rede de fast food possui lojas. Por isso, o famoso sanduíche serve para dar respaldo a uma teoria da economia: a paridade do poder de compra (PPC).

Há 34 anos, a revista inglesa, The Economist, usa o preço do lanche em todos os países onde ele é comercializado para entender quanto vale o dinheiro de fato naquele local. A comparação sempre é feita com base no dólar e o indicador coleta dados de países responsáveis por 94% de toda a produção do planeta.

Na prática, se um Big Mac nos Estados Unidos custa US$ 5 e no Brasil R$ 15, então a taxa de câmbio implícita é de 1 dólar para 3 reais. Comparada à taxa de câmbio real, se com 1 dólar é possível trocar por mais do que 3 reais, significa que o real está desvalorizado frente ao dólar. Ou seja, precisamos de mais dinheiro do que os americanos para comer o mesmo sanduíche.

Cristiane Quartaroli, economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, explica que a paridade do poder de compra vai além do Big Mac, que é só um exemplo famoso. “O indicador é feito com base em uma cesta de produtos de diferentes áreas, como alimentação, saúde e transportes. O objetivo é mostrar o real valor de cada moeda frente ao dólar”, explica.

Outros exemplos como o iphone, produto mais famoso da Apple, também ajudam a compreender a PPC. Nos Estados Unidos um aparelho custa 800 dólares. Quando as mesmas características são replicadas por aqui, temos um valor de 930 dólares, considerando a taxa de câmbio de R$ 4,10. “Isso significa que nos Estados Unidos o poder de compra é maior. Por lá eles precisam de menos dinheiro para adquirir o mesmo produto”, diz Cristiane.

E nem é preciso sair do país para fazer essa comparação. No interior de São Paulo você consegue tomar um delicioso pingado e comer um pão na chapa por R$ 5 em alguns lugares. Mas já imaginou conseguir isso na região da Avenida Paulista? Quase impossível! Pois é, a paridade do poder de compra também pode ser medida dentro de um mesmo país.

Muitos fatores ajudam a explicar essa diferença de valores. Variáveis, como sazonalidade dos produtos, oferta e demanda, custo de produção e mão de obra acabam impactando o indicador. Também entram nessa conta questões atípicas como a alta do preço do petróleo por conta da tensão entre Estados Unidos e Irã e fatores, como a inflação interna de cada país, preços de importação ou produção e diferentes impostos.

A PPC ajuda a compreender o valor real das moedas. No entanto é importante frisar que esse indicador não substitui a taxa de câmbio nas negociações.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) divulga uma lista dos países com maior PIB (Produto Interno Bruto) per capta calculado com base na paridade do poder de compra - e isso muda os resultados práticos. Por exemplo, o PIB per capta de Luxemburgo, país em primeiro lugar, é de US$ 106.406. Quando calculado pela PPC, o valor muda para 77.958 dólares internacionais - unidade hipotética que corresponde ao poder de compra do dólar norte-americano nos Estados Unidos.

“A PPC é uma referência, mas não deve ser utilizada isoladamente para nenhuma operação de câmbio”, finaliza Cristiane.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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