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Sopa de letrinhas: o que é hedge cambial?

A cotação do dólar caminha na esteira de incertezas vivenciada pelo mundo, motivada pela pandemia do coronavírus, e de indicadores políticos e econômicos que ajudam a compor o índice da moeda mais usada no mundo.

Para se ter uma ideia, a moeda americana começou o ano de 2021 avaliada em R$ 5,16, chegou ao patamar de R$ 5,80 em março, foi a menos de R$ 5 em junho, voltou a subir para a casa dos R$ 5,40 em agosto, e agora transita na faixa dos R$ 5,20. Mas, afinal, como os empresários podem fazer para se proteger dessas oscilações?

Uma das opções para assegurar o desempenho dos negócios é o hedge cambial, ferramenta criada para proteger as empresas das flutuações do câmbio, em momentos como o atual.

Com o hedge é possível fixar as cotações futuras e ajudar a reduzir o risco de uma forma eficiente e segura, além de reduzir os custos operacionais.

Na prática, funciona assim: imagine um empresário que importa eletrônicos e decide comprar um lote de calculadoras para revender os produtos no Brasil. No momento da intenção da compra, o câmbio é de R$ 5,15 e o preço acertado é de US$ 1 dólar por equipamento. Seguindo um planejamento, ele venderá cada calculadora no Brasil por R$ 10 e terá uma margem de R$ 4,85 para arcar com custos locais e conseguir seu lucro.

Contudo na data da entrega das calculadoras e do pagamento, o câmbio oscilou para R$ 5,80. Imediatamente, o valor da margem cai para R$ 4,20 e isso pode comprometer a lucratividade do negócio, tendo em vista todos os custos da operação. Justamente para evitar esse tipo de surpresa indesejada há o hedge cambial.

Na ocasião do fechamento de um negócio, seja ele uma importação de produtos, venda de commodities ou até mesmo a compra de uma casa no exterior, é possível solicitar o travamento do câmbio na data escolhida.

“A ideia é que o cliente jogue fora essa variável que é a taxa cambial e se preocupe em comprar e vender seus produtos”, diz Bruno Foresti, superintendente de Câmbio do Banco Ourinvest.

E não existe uma quantia mínima para buscar o hedge cambial. Há vários formatos para atender a necessidade de cada cliente, como NDF, opções de câmbio e swap cambial.

Em resumo, o cliente decide quanto do montante quer proteger e busca no mercado financeiro agentes dispostos a realizar o travamento comercial com base em uma contrapartida. Geralmente, as transações são feitas em dólar, mas é possível fazer o travamento em qualquer moeda.

Bruno explica que o custo do hedge depende da taxa do dólar comercial no momento do fechamento do negócio, do valor transacionado e do prazo da operação.

Segundo o superintendente, o ideal é buscar parceiros que ajudem o cliente a identificar qual a trava de câmbio mais indicada para o seu negócio, com base em variáveis, como volume de vendas, prazo, custos fixos da operação e lucratividade desejada. “No Banco Ourinvest temos uma experiência de mais de 40 anos e ajudamos a encontrar a ferramenta ideal de acordo com as necessidades de cada cliente”, afirma.

Um pouco de história

O hedge cambial é uma ferramenta antiga que foi ganhando destaque ao longo dos anos. A busca de hedge, ou proteção contra oscilações inesperadas nos preços, começou no século XIX no mercado de commodities agrícolas de Chicago, nos Estados Unidos.

Agricultores e pecuaristas que levavam produtos à cidade temiam quedas súbitas nas cotações, no caso da oferta ser muito superior à demanda. Para evitar isso, os preços passaram a ser negociados antes da entrega. Essa foi a origem das operações a termo. Depois, essas operações foram aperfeiçoadas e deram origem aos modernos derivativos, hoje comuns no mercado financeiro.

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Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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