Especial

Inebrie-se pelo bom humor dos mercados financeiros

Para quem senta atrás de telas de cotações financeiras, este mês tem sido de otimismo e comemoração. O motivo (justo, embora talvez pontual) fora a votação da reforma da previdência na Câmara dos Deputados em primeiro turno, qual mostrou um quórum altíssimo para um período pré-férias e um placar de vitória avassaladora para o “sim”. O mercado financeiro abraçou o modo de sistema quase-parlamentarista que estamos vivendo e seguiu a vida em festa.

De fato, segundo uma pesquisa recente de uma grande instituição financeira, houve um vertiginoso crescimento na confiança com o cenário político-econômico. Notem, porém, que a pesquisa se restringiu aos agentes do mercado financeiro entre 11 e 12/julho. A avaliação boa ou ótima do governo Bolsonaro foi de 55% nesta data, vindo de míseros 14% em maio, quando tínhamos muita incerteza em relação ao processo de aprovação da Reforma da Previdência. E não à toa, as expectativas em relação ao governo Bolsonaro também registrou alta entre os agentes econômicos: o resultado foi os mesmos 55% de avaliações positivas; em maio, a taxa foi de 27%. Porém, o destaque da pesquisa, na minha opinião, foi o índice de avaliação positiva do Congresso, que alcançou 86% (!!!!), quando a média desta informação roda a 30%. Que isso hein, Presidente Rodrigo Maia?

Diante destes números, meus amigos leitores devem estar se perguntando “bacana, Av Faria Lima, mas e eu com isso?”. Bom, já venho repetindo em diversos textos e vídeos, a importância da confiança dos agentes, que incluem, principalmente, os empresários e os consumidores. A força motora da recuperação econômica virá desses vetores, e não somente do mercado financeiro. Então, meus amigos, inebriem-se pelo bom humor dos mercados financeiros destas ultimas semanas, é isso que estamos esperando.

Embora, os livros textos sugiram que a mercado financeiro costuma antecipar movimentos da economia real, caso não se concretizem o ajuste dos preços dos ativos podem vir a galope. Em português claro, do mesmo jeito que vimos a taxa de câmbio baixar dos R$/US$ 4,10 aos R$/US$ 3,80 rapidamente quando o presidente Rodrigo Maia demonstrou forte intenção de aprovação da reforma; a não efetivação de confiança dos empresários e consumidores pode frustrar o mercado (de novo) na questão de retomada de crescimento, e dai já viram... voltamos ao cenário ruim (worst-case-scenario) que vimos em meados de maio quando a taxa de câmbio alcançou R$/US$ 4,10.

Quero mesmo acreditar que o otimismo seja contagioso. Vira essa boca para lá se, o Senado encrespar no texto da Reforma, a outra possível PEC de Reforma de Estados e Municípios não aconteça, se acabar a lua-de-mel com o Brasil quase-parlamentarista e começarmos a nos frustrar com o andamento do governo Bolsonaro.  E nem me fale se a confiança dos empresários não aumentar, se os gringos não resolverem investir no Brasil, se de novo não crescermos nem 1% em 2020. Sai para lá pessimismo, quero me inebriar junto com o mercado.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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