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Independência dos Estados Unidos: 5 pontos sobre a maior economia global

O Dia da Independência dos Estados Unidos, comemorado em 4 julho, leva milhões de americanos às ruas para celebrar a data em que as treze colônias declararam a separação formal do Império Britânico.

Em 246 anos, os Estados Unidos se tornaram a principal economia do mundo e ajudam a ditar o rumo do crescimento global.

Apesar dos festejos por conta do feriado, os motivos para celebrar podem ser ofuscados pela situação econômica atual do país, que impacta diretamente no restante do mundo.

Para te ajudar a compreender o momento atual, o Blog Ourinvest ouviu especialistas e elencou cinco pontos importantes sobre a situação atual. Confira:

 

1- Estados Unidos: como anda a economia?

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos sofreu uma contração anualizada de 1,6% no primeiro trimestre deste ano. Os dados confirmam a forte desaceleração sofrida pelos EUA, cuja economia havia mostrado expansão anualizada de 6,9% no quarto trimestre de 2021.

A retomada vista no ano passado está perdendo força uma vez que o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, aperta agressivamente a política monetária para combater a inflação, aumentando os temores de uma recessão.

As vendas no varejo caíram em maio, enquanto que as licenças de construção de moradias e o início de construções diminuíram. A confiança dos consumidores atingiu o nível mais baixo dos últimos16 meses em junho.

Segundo Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, os Estados Unidos são o principal país no quesito parceiro comercial do mundo. “Por isso, a perspectiva de crescimento menor por lá impacta o mundo todo”, diz.

 

2- As medidas do Fed

A inflação tem sido galopante nos Estados Unidos. Por isso, a ferramenta do Banco Central americano para combater a alta dos preços está no aumento das taxas de juros.

Em sua última medida, o Fed aumentou a taxa de juros em 0,75 ponto percentual, a maior alta desde 1994. Isso torna os empréstimos mais caros e desacelera a economia, de propósito, em uma tentativa de controlar seu andamento da economia.

O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, disse recentemente em um evento que a economia dos Estados Unidos está em “boa posição” e que um dos objetivos do aumento das taxas básicas é moderar o crescimento econômico, com intuito de equilibrar as dinâmicas de oferta e demanda.

O dirigente disse que “ainda há um caminho” para controlar a inflação sem causar significativo avanço do desemprego.

 

3- Contexto global

O cenário observado nos Estados Unidos faz parte de um contexto global. Boa parte da história pode ser explicada pela pandemia, que provocou transformações estruturais na economia global.

E, também, pode ser atribuído aos eventos negativos, como a guerra entre Rússia e Ucrânia, que além das questões humanitárias sufocou as cadeias de suprimentos, dificultou o fluxo normal de mercadorias e elevou os preços da energia.

 

4- Como ficam os emergentes?

A economista do Banco Ourinvest explica que com o quadro inflacionário alto e as tentativas do Fed de controlar a situação, há impacto direto nas moedas emergentes.

“Quando você tem juros mais altos em uma economia mais segura, o dinheiro sai dos países emergentes e vai para lá. Os investidores migram e é o que está acontecendo. Por isso, as moedas emergentes estão se desvalorizando”, diz Cristiane.

Ou seja, além dos desafios próprios, os emergentes ainda precisam lidar com as incertezas da economia americana. Nessa toada, a taxa de câmbio segue em ritmo de volatilidade na esteira dos ajustes do Fed.

 

5- Brasil e Estados Unidos: a importância da relação

Os Estados Unidos e a China são os dois principais parceiros comerciais do Brasil. Dados do governo federal mostram que o Brasil nunca exportou tanto para os EUA quanto em 2021 (US$ 31,1 bilhões); tampouco importou tanto (US$ 39,4 bilhões).

Como resultado, a corrente comercial entre os dois países foi recorde em 2021, com movimentação total de US$ 70,5 bilhões.

No saldo da balança, o registro foi o maior déficit no comércio bilateral com os Estados Unidos desde 2013 e o maior com qualquer parceiro comercial em 2021: importamos US$ 8,3bilhões a mais do que exportamos, com pandemia e crise hídrica puxando as nossas compras.

Houve aumento expressivo em compras de gás natural para abastecer as termelétricas em meio à escassez hídrica vivenciada pelo Brasil e ampla aquisição de vacinas contra a Covid-19.

"Obviamente as dificuldades da economia americana impactam o Brasil diretamente, no fluxo de mercadoria entre os países e no contexto global”, avalia Cristiane.

Livio Ribeiro, pesquisador do Ibre-FGV, afirma que a possível crise econômica nos Estados Unidos acontece em um momento infeliz também para o Brasil.

“Já temos nossos próprios desafios domésticos com a eleição presidencial neste ano. O próximo governo vai ter desafios importantes também no cenário internacional”, diz.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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