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Hedge cambial e seguros: o que essas ferramentas têm em comum?

Segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais (CNSEG), cerca de 90% dos veículos novos saem das concessionárias com seguros contratados. As proteções contra roubo, furto ou até mesmo acidentes são vistas como essenciais pelos proprietários. Você sabia que o hedge cambial segue essa mesma lógica?

Assim como os donos de carros querem garantir proteção a seu patrimônio, as empresas que buscam proteger seus valores contra as oscilações cambiais contratam essa ferramenta. Funciona assim: o hedge cambial faz uma trava da moeda nas operações em moedas conversíveis e as companhias que realizam transações fora do Brasil têm a previsibilidade do valor dos ganhos e custos, independentemente, da oscilação do dólar ou da moeda em questão.

A semelhança entre as ferramentas tem outro lado: o custo dessa proteção é muito menor do que o prejuízo em caso da não contratação. Seguindo a analogia: na eventualidade de seu carro ser roubado, por exemplo, você paga a franquia para a seguradora --um valor muito menor do que o montante total -- e consegue receber o dinheiro correspondente ao veículo.

No hedge cambial, alógica é parecida. Ao contratar a ferramenta, a empresa (ou a pessoa física) consegue garantir sua margem de lucro de forma previsível e a instituição financeira responsável pela transação arca com a diferença da oscilação da moeda no período contratado -- independentemente do tamanho dessa alta ou queda.

Mas e os valores pagos por isso? Tanto o seguro de carro quanto o hedge cambial levam algumas variáveis em conta na hora de formar o preço, mas segundo Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, o custo do hedge cambial é muito menor do que os empresários acreditam.

“O hedge cambial tem fama de ser caro no Brasil. Isso já foi verdade no passado, pois o hedge é calculado pelo diferencial de taxa de juro entre Brasil e da moeda estrangeira”, afirma.

Barral exemplifica: em uma operação de US$ 100 mil com garantia de estabilidade e proteção da moeda, o empresário exportador ou importador paga de US$ 2 mil a US$ 3 mil pelo hedge cambial, montante que pode ser parcelado.

Com essa contratação do hedge, o empresário ou a pessoa física que precisa fazer uma transação internacional temo câmbio fechado garantido no período escolhido, qualquer que seja o valor do dólar, seja a R$ 4 ou a R$ 8 reais. “Isso é como se fosse um seguro para o importador e o exportador. É uma garantia que seu montante planejado estará intacto”, diz Barral.

O estrategista de Comércio Exterior segue comparando a ferramenta cambial com o seguro veicular. “Se você faz o seguro de um carro importado, o custo médio é de cerca de 10% do valor do veículo por ano. Um carro de US$ 100 mil tem um seguro de US$ 10 mil. E isso ninguém questiona na hora de fechar, já é cultural contratar essa proteção”, diz Barral.

Hedge pode ser diferença entre lucro e prejuízo

Para ele, a questão da contratação do hedge cambial precisa ser mais difundida nas companhias, especialmente nas empresas de pequeno e médio porte que realizam operações internacionais.

“É impossível controlar a oscilação do câmbio, porque são inúmeros fatores envolvidos, como cenário internacional, dívida externa, entrada e saída de capital, questões políticas internas. Em uma semana muita coisa muda e é fundamental contar com o mínimo de previsibilidade, como o que o hedge cambial oferece. As empresas precisam saber disso”, afirma o estrategista.

Barral explica que mesmo em momentos de baixa da moeda, quando pode haver argumentos de que o hedge não é interessante, é importante contar com a ferramenta. Afinal, o cenário muda depressa. “A especulação da moeda é algo para fundos de hedge e investidores especializados, empresários devem focar no negócio da empresa, que é comprar e vender produtos”, diz.

Ele finaliza com um exemplo: uma empresa que vende e exporta sapatos fecha um contrato fora do Brasil para enviar a mercadoria e receber o pagamento em 180 dias. Provavelmente, essa companhia vai receber menos reais em relação aos dólares que vai vender, a depender da situação do mercado financeiro. “Essas empresas vivem uma tensão diária. Mais do que nunca vale a pena contratar hedge cambial e ter previsibilidade no fluxo de caixa. Isso pode ser a diferença entre lucro e prejuízo”, finaliza Barral.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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