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Expectativas para 2020

PUBLICADO EM

26/12/2019

Seis cenários econômicos que você deve observar em 2020 Fazer previsões sobre economia é tarefa árdua; afinal, o cenário muda a cada dia por conta das inúmeras variáveis. Uma das formas de compreender o que acontece no mercado financeiro é prestar atenção ao contexto histórico e à agenda futura. Para ajudá-lo a começar o ano bem informado, preparamos uma lista de seis pontos a que você deve ficar atento para compreender as questões econômicas mais relevantes — e o que deve acontecer nos próximos meses em cada uma dessas frentes.

Câmbio O ano de 2019 provou que a taxa de câmbio é uma variável de aversão a risco. Iniciamos o ano com uma taxa comportada, de R$ 3,65, pois o mercado estava com uma expectativa sobre como seria o novo governo e se haveria um desenrolar positivo. No entanto, o cenário internacional passou a se mostrar negativo já no primeiro semestre e, internamente, começou a circular a reforma da Previdência — o que causou bastante discordância e instabilidade. No segundo semestre, Estados Unidos e China intensificaram a batalha comercial, causando um ciclo de incertezas no mundo. Por aqui, as declarações controversas do governo brasileiro ficaram mais evidentes — gerando perda de fluxo de investimentos. Um prova do cenário complicado e do desinteresse dos investidores foi o leilão de pré-sal malsucedido. “Com esse cenário, estacionamos no patamar de R$ 4,20, e essas mesmas variáveis continuam valendo para 2020. Enquanto não tivermos uma boa história para contar aos investidores, essa taxa se manterá alta”, diz Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest. A expectativa para 2020 é de que o governo dê continuidade às reformas e esteja mais sintonizado com o Congresso.

Selic Em 2018, o governo de Michel Temer fez manobras que deixaram bem ancoradas as questões da inflação corrente e das expectativas sobre o índice, no médio prazo. Essa foi uma janela para o Banco Central do Brasil (BCB) decidir reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para o menor patamar já observado no país — de 5%, com tendência a um novo corte até o final de 2019. Segundo Fernanda, esse índice revela a capacidade da política monetária em alcançar patamares novos, mas há uma possibilidade de que a oscilação da taxa de câmbio possa atrapalhar essa manutenção da Selic em 2020. O BCB já havia dito que não interviria no mercado de câmbio, a não ser que as expectativas de inflação deteriorassem — e essa intervenção seria via juros —, mas a forte alta da moeda, com a possibilidade real de atingirmos R$ 4,30, já levou a instituição a anunciar venda de reserva. “Acredito que, nessa toada, no segundo semestre do ano que vem, a Selic volte a ser reajustada para estar dentro do contexto de uma taxa de câmbio alta”, diz Fernanda.

Reforma da Previdência Este tema foi a grande vedete do ano. Por nove meses em 2019, as notícias envolveram as discussões acerca das mudanças previdenciárias no país. A aprovação da reforma, ainda que com certa discordância e descrença por parte de alguns, traz uma agenda positiva para o mercado e ajuda o Brasil em um contexto global. No entanto, esse tema não é suficientemente grande para atrair investidores — do que mais precisamos no momento. “Nossa recuperação econômica depende de agentes de confiança. A reforma da Previdência é um deles, mas a agenda precisa de mais pontos de apoio”, diz Fernanda. O ponto a ser observado, em 2020, além da parte prática da nova lei, é a questão dos estados e municípios. O tema que está parado no Congresso por conta de uma agenda política deve começar o ano com força e dominar os noticiários — e as expectativas.

Reforma Tributária O assunto também esteve bastante presente no noticiário nacional, mas trouxe certa decepção pela demora em ser tratado. A expectativa era de que o tema ganharia força após a aprovação da reforma da Previdência, no entanto, a agenda política conturbada não permitiu foco do Congresso no assunto. Temas como a questão da Segunda Instância — que culminou na soltura do ex-presidente Lula — e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), sobre a liberdade de dados, acabaram minando a discussão da reforma tributária, ao menos por um tempo. “Isso atrapalhou os investidores de olho no Brasil, e é imperativo que seja retomado logo no começo de 2020, para reviver o interesse de aportes no país”, afirma a economista. Entretanto, ainda que seja um assunto prioritário, as expectativas são de que as discussões — e novas discordâncias — se arrastem por vários meses.

Guerra comercial entre Estados Unidos e China Esta é a novela internacional com maior audiência. No entanto, os capítulos são vazios e a previsão do fim não está próxima. A história, que começou em 2018, perdurou por 2019 sem grandes ações efetivas. “É uma briga pelo Twitter e uma disputa de poderes constante”, define Fernanda. Mesmo assim, o embate entre os presidentes das duas maiores potências comerciais precisa ser observado de perto. O acordo entre as nações, que seria faseado em três partes, acabou não saindo do papel e as ações ainda estão emperradas, sendo difícil prever quais são os próximos passos. Uma das possibilidades para 2020 é que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, analise que o acordo com a China possa servir de palanque eleitoral para aumentar suas chances de reeleição. “Enquanto isso, vamos acompanhando cada capítulo com a certeza de que essa disputa desfavorece as moedas emergentes e, consequentemente, compromete o desempenho do Brasil”, diz Fernanda.

Brexit A decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) também é outro assunto que deve ganhar novos capítulos em 2020. O prazo acordado para o acerto é 31 de janeiro, mas um novo adiamento não pode ser descartado. Com a economia global passando por um período de baixo crescimento, o Brexit acrescenta mais incerteza a um cenário já conturbado. Mas ainda é difícil prever qual será o impacto dessa decisão no mundo — e no Brasil. Para Fernanda, essa também é uma situação que não tem prazo para acabar e precisa ser acompanhada em tempo real. “O Euro tende a ser afetado, e isso causa aversão a risco. Os investidores começam a mudar o destino dos recursos”, explica. “Nesse contexto, os emergentes acabam prejudicados, mesmo sem ter nada a ver com a história. O Brasil está inserido nisso”, diz.

Manifestações na América Latina Este assunto merece atenção em 2020, pela complexidade e importância do tema. Nos últimos meses, a América Latina tem passado por situações conturbadas quando o assunto é a defesa da democracia. Desde as eleições da Argentina, países como Peru, Chile, México, Colômbia e Brasil têm vivido episódios complicados. Por aqui, as falas de governantes sobre o retorno do AI-5, ainda que de maneira leviana, adicionam negatividade ao contexto. Nos demais países, os embates chegaram às ruas e houve até mortes. “Todas essas manifestações levam à região aversão a risco, e isso afeta a percepção do investidor estrangeiro”, explica Fernanda.

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Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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