Especial

PUBLICADO EM

18/10/2020

Introdução

O pior já passou, mas vamos ser realistas.

  • “Não sou nem otimista, nem pessimista. Os otimistas são ingênuos, e os pessimistas amargos. Sou um realista esperançoso. Sou um homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo.” (Ariano Suassuna)
  • E sonhamos, porque definitivamente não foi apenas uma “gripezinha”. A pandemia do coronavirus demonstrou quão vulneráveis somos e a falta de preparo da maioria dos países para enfrentar um cenário tão adverso.
  • Embora pareça que o pior já passou, sobretudo com promessas de vacina, ainda falamos de segunda onda de contágio. Não dá para ser otimista.
  • O sentimento realista mostra que haverá um longo caminho e que será difícil sairmos iguais depois de tudo que vivemos em 2020. Alguns aprenderão mais, e outros menos. Mas e a nova ordem mundial? O que nos aguarda?

Onde chegamos?

Cenário base – o realista:

Lá fora:

  • O cenário de maior cooperação mundial não ocorreu. China e EUA seguem em conflito; as autoridades brasileiras não se acertam no discursos;
  • Em nosso cenário base, o exterior segue contemplando a continuidade da recuperação econômica nos EUA, Europa e China. Isso certamente se deve ao suporte monetário e, principalmente, ao massivo auxílio-fiscal às famílias;
  • As eleições norte-americanas ocorrem sem grandes tumultos, pois o ganhador estará focado na recuperação econômica e a 2ª onda será erradicada antes de grandes efeitos na economia europeia;
  • A China ganha protagonismo na demanda externa, a aversão ao risco deve diminuir, abrindo espaço para investimentos nos países emergentes. O compromisso com as contas fiscais é exigido, mesmo após um ano de gastos altamente justificados;
  • E, sim, nosso cenário base conta com vacinação a partir do 1T21.

Aqui dentro:

  • Considerando os desgastes atuais, é difícil ver o governo empenhado no compromisso fiscal. Vejam, não falamos em abandono da agenda liberal, mas a queda de braço entre fiscalistas e populistas deve seguir por todo o mandato atual, dificultando o ingresso de capitais. Assim, a taxa de câmbio segue pressionada, em patamar menor que o atual, ao redor de US$/R$ 5,00;
  • Outro ponto que pode pesar na atração de investimentos ao Brasil será o mercado de trabalho, que deve melhorar de forma lenta, em linha com uma recuperação econômica tímida e difusa entre setores, com PIB de 2,5%;
  • A inflação - após tantos estímulos - aumenta, mas segue dentro da meta, porém não o suficiente para manter os juros no patamar atual. Acreditamos em Selic em torno de 4,0% no final de 2021;
  • Ora teremos uma impressão de melhora nos mercados, ora um gosto amargo por pronunciamentos e confusões fiscais. E, possivelmente, em algum momento, vamos torcer para chegarmos 2022.

Cenários alternativos

E o mais otimista?

  • Chegamos ao final da pandemia, a partir de vacina e remédios. O exterior está em plena recuperação econômica;
  • A China ganha novamente forte protagonismo com o aumento de demanda externa, e o apetite ao risco volta a níveis historicamente altos;
  • O Brasil se beneficia com fortes investimentos, permitindo melhora expressiva no mercado de trabalho, e crescimento pronunciado da atividade econômica brasileira. O crescimento do PIB volta a 4%;
  • Aumento de PIB e de arrecadação, com acordo políticos e andamento de reformas, colocam contas fiscais no caminho mais assertivo, com inflação controlada e pequeno ajuste em taxa de juros;
  • A taxa de câmbio acompanha o menor risco e baixa para cerca de US$ 4,2. Que sonho, hein?

E o pessimista, o amargo?

  • A segunda onda de contágio acama a população mundial pela ausência de sucesso nas vacinas, exigindo continuidade de medidas de isolamento social. Países se isolam comercialmente com tom mais duro de protecionismo;
  • Forte aversão ao risco, com danos severos aos preços de ativos de emergentes. E o real se desvaloriza para US$/R$ 6,00;
  • O governo entende que a única saída é adotar medidas populistas, sem espaço para reformas, gerando um grande problema fiscal. Na ausência de investimentos, temos mais um cenário de voo de galinha, ou seja, não há recuperação econômica (~1% de PIB). Ocorre uma piora significativa do mercado de trabalho;
  • A inflação sobe e há necessidade de aumento da taxa básica de juros para mais de 5%a.a.

Cenários Comex

Para os realistas (cenário base):

No cenário base, ou seja, com uma pitada de realismo, acreditamos que haverá uma continuidade nas exportações das commodities, porém com preços mais equilibrados. Já para as importações, deveríamos ter algum aumento, levando o superávit a USD45bi.

Para os tolos (cenário otimista)

Já no cenário para os tolos, se nos permitem assim chamá-los, acreditamos que haverá um aumento nas exportações de produtos manufaturados com forte recuperação nos mercados latino-americanos .Adicionando a  isso um aumento na importação de insumos e de equipamentos, levando o superávit chegaria aUSD40bi.

Para os amargos (cenário pessimista)

Por fim, no cenário pessimista acreditamos que haverá uma grande dependência de exportações das commodities, aliada a um baixo crescimento do comércio e muita dificuldade de retomada das exportações de manufaturados. Assim, o superávit seria de USD42 bi.

Cenários

“Sonho com o dia em que o sol de Deus vai espalhar justiça pelo mundo todo”

Conclusões e dúvidas, sempre!

  • Nossa  principal hipótese parte da vacina da Covid-19. Esperamos, sim, uma vacina eficaz que alcançará parte relevante da população mundial no primeiro trimestre de 2021, trazendo a confiança, a mesma que fará com o que mundo volte ao normal e a economia tenha espaço para voltar a pulsar;
  • Contudo a forma e o ritmo da recuperação externa podem ser diferentes, assim como o sucesso ou não da vacina. Isso implica, em nossa visão, em três possíveis cenários;
  • No Brasil, as preocupações fiscais persistem, e o cenário evoluirá a depender das ações nesse tema;
  • Por fim, a taxa de câmbio pode variar de US$/R$ 4,2 a 6,0, gerando diferentes cenários de comércio exterior;
  • Dúvidas? Temos todas. E vocês?
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Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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