Índice de Rentabilidade Ourinvest

Exportações e rentabilidade: De olho na mineração

Todos os meses, a Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior) divulga um índice que mostra a rentabilidade das exportações brasileiras - IRE. Esse indicador mostra o quão atrativo está o quadro para as exportações de uma forma geral e contribui, por exemplo, para a decisão entre direcionar a produção para o exterior ou para o mercado doméstico, além de auxiliar na decisão de realizar, ou não, investimentos voltados à exportação. Ou seja, quanto maior é o valor do IRE, maior é a rentabilidade. Além disso, também é possível visualizar a evolução da rentabilidade por vários setores.

Índice de rentabilidade das exportações ajustado

A partir desse indicador, calculamos um segundo que chamamos de IRO (índice de rentabilidade Ourinvest) e que é livre de algumas distorções, facilitando a leitura de oportunidades para nossos clientes no setor exportador.

Afinal, nossa pauta exportadora é bastante concentrada em soja e minério de ferro (~30% do total), que podem distorcer o IRE se houver forte movimento desses produtos em detrimento de outros. Assim, o núcleo do índice de rentabilidade Ourinvest - IRO - exclui esses segmentos.

Nos últimos 12 meses, até junho/20 (última informação disponível), notamos que houve uma ligeira melhora de rentabilidade na pauta de exportação geral. Contudo se excluirmos os setores-chave, essa melhora foi menos expressiva (ver gráfico). Além disso, na margem, tanto o índice geral quanto o núcleo registraram quedas de mais de 8%no mês, possivelmente, por contados preços de commodities que até esta data (junho/2020) estavam bastante afetados pela crise do coronavírus. De fato, analisando o indicador de preços de commodities do BCB (Banco Central do Brasil), em junho houve uma queda de quase 5% em relação ao mês de maio.

Por outro lado, olhando a rentabilidade de exportações ao longo do primeiro semestre, parece que a taxa de câmbio depreciada pôde ajudar determinados setores da economia no início da pandemia. Contudo a volatilidade cambial acima do usual ainda recomenda o uso de ferramentas para minimizar riscos no setor, como o hedge cambial, por exemplo.

Índice de rentabilidade das exportações

Setorial – Mineração

Além de olharmos para o índice geral das exportações e para o núcleo Ourinvest, vamos separar esse indicador também por setores para entendermos melhor como está a dinâmica do comércio exterior em cada setor específico. No relatório deste mês vamos falar sobre o setor de mineração.

Observa-se uma alta consistente desde o final do ano passado na rentabilidade das exportações desse setor, descolando inclusive tanto do índice geral quanto do núcleo (ver gráfico ao lado). Parte desse movimento está possivelmente ligado à melhora da atividade econômica chinesa, que não só teve abrandamento da pandemia antes do resto do mundo, como intensificou sua demanda ainda no primeiro semestre.

E, também, devido aos preços das commodities metálicas, que apresentaram alta mais significativa do que os demais setores desde o início da pandemia. Interessante notar que, mesmo em junho, quando houve queda de preços de commodities, o segmento de metais mostrou uma queda muito mais branda que agropecuários, por exemplo.

Em poucas palavras, o fator relevante tem sido a recuperação da China como ator central na importação de minérios. No caso do Brasil, sobretudo de minério de ferro, cujas exportações para a China já subiram inclusive em comparação com o mesmo período do ano passado.

Análise setorial

O dinamismo da economia chinesa após a fase mais crítica da Covid, no primeiro trimestre, também indica tendência de manutenção de preços e de rentabilidade no curto prazo. A expectativa é que a China aumente em 200 milhões de toneladas a produção de aço, o que demandaria mais 300 milhões de toneladas de minério de ferro – tornando o país responsável por 70% da importação do minério no mundo.

Além disso, o pacote de estímulo econômico da China, e sua ênfase em infraestrutura, indica a continuidade da demanda por minérios, sobretudo do ferro. Ao mesmo tempo, os temores dos efeitos da pandemia sobre mercados fornecedores – sobretudo no Brasil e América Latina – afetam a manutenção dos preços em contratos futuros, favorecendo a rentabilidade para o setor.

Conclusão

A rentabilidade das exportações brasileiras segue saltando aos olhos, motivada tanto pela da taxa de câmbio, que segue pressionada e sem muitos sinais de arrefecimento no curto prazo, quanto pelos preços de commodities, tendo a China como o centro da explicação. Nessa combinação, os exportadores de minério de ferro saem na frente ganhando tanto pelo preço como pela quantidade.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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