Relatório Especial

Confiança para decolar

Sai ano, entra ano, e os indicadores de confiança continuam sendo importantes termômetros da nossa economia. Seja a confiança da própria população com relação à economia ou com aqueles que a conduzem; seja o nível de confiança que as empresas têm (ou não) para o futuro. O nível de otimismo (confiança) ou de pessimismo (falta de confiança) aponta tendências de consumo e de investimentos que são alguns dos principais motores da atividade econômica e do emprego de um país. Quando estão otimistas, os empresários tendem a fazer investimentos e os consumidores ficam mais dispostos a comprar. Os aumentos dos investimentos e do consumo alimentam o crescimento econômico e a criação de empregos. Em tempos de pessimismo, os investimentos e o consumo diminuem, desacelerando a atividade econômica – passamos por isso recentemente e sabemos muito bem como é!

                               
Mas como esses indicadores têm se comportando ao longo dos últimos meses, após os piores momentos da pandemia nos últimos dois anos? Logo após o período mais crítico da pandemia, os dados de confiança haviam melhorado muito e praticamente voltado aos patamares de antes da crise. Contudo, mais recentemente, voltaram a apresentar uma piora e voltamos a ver a confiança despencar em praticamente todos os setores. Houve uma queda acentuada nos dados de confiança da indústria, do comércio e dos serviços; e não é difícil imaginar o motivo desse comportamento. Alguém tem algum palpite? Por mais que a pandemia esteja finalmente com um quadro mais brando, a chegada do ano eleitoral traz muitas incertezas, tanto para a população quanto para o empresariado. Por isso, temos observado queda na confiança dos principais agentes da economia. Mas será que é só isso?

Em dezembro do ano passado, observamos uma forte queda nos indicadores de confiança do empresário e do comércio. Apesar da melhora da pandemia, esses setores continuam sentindo os efeitos negativos da alta da inflação e dos juros, e da lenta recuperação do mercado de trabalho. Por outro lado, houve melhora nos dados de confiança do consumidor no mesmo mês, por que será? Se o leitor olhar o gráfico com atenção irá notar que, embora a confiança do consumidor tenha apresentado um desempenho melhor, o nível está ainda muito abaixo dos demais indicadores de confiança e também muito inferior à confiança que os consumidores tinham antes da pandemia. Ou seja, a insegurança com relação às perspectivas futuras da economia continuam bastante evidentes em todos os setores (ver gráfico1).

Adicionalmente, vale destacar que a confiança da população no governo atual também é um fator importante de tomada de decisões. E taí um indicador que piorou muito desde o início do ano passado. A aprovação da população com relação ao governo atual perdeu 16 pontos em um ano, é muita coisa (ver gráfico2). Aqui, podemos citar vários motivos que causaram essa desconfiança coletiva. Decisões desencontradas com relação aos assuntos da pandemia, aumento do número de casos e mortes ao longo de 2021, inflação, desemprego, entre outros. Não há governo que se sustente em um cenário assim. Claro que a pandemia contribuiu, e muito, para o agravamento da crise econômica, mas a forma como o governo lidou com isso não agradou a população e os indicadores de confiança refletem                                                    
exatamente isso.

Mas, na prática, qual o impacto desses indicadores ruins no futuro da nossa economia? Como dissemos lá no início do texto, as decisões futuras são tomadas com base na evolução da economia atual que, convenhamos, não anda lá muito bem. Ou seja, a queda da confiança sinaliza que teremos possivelmente mais um ano de crescimento muito baixo, aumentando a aversão ao risco no País e, portanto, pressionando nossa taxa câmbio. Para se ter ideia, o real continua entre as moedas emergentes que mais se depreciaram desde o início da pandemia, embora tenha mostrado um alívio mais recentemente (ver gráfico 3). Só perdeu para a Turquia, que também sofreu com desgastes políticos no final do ano passado e para a Argentina, que sofre com uma crise sistêmica já há algum tempo. No mais, o Brasil continua com sua moeda desvalorizada e o ano eleitoral pode ser apenas mais um motivo para trazer ainda mais volatilidade e pressão para nossa taxa de câmbio, mas isso é assunto para outro especial!

CONCLUSÃO

Se eu confio, vou adiante. Mas o contrário também é verdadeiro. Então, caros leitores, enquanto continuarmos a ver os indicadores de confiança oscilando com meses positivos e outros nem tanto, vai ser difícil acreditar que teremos uma retomada expressiva da nossa economia. É preciso ver uma melhora significativa nesses indicadores para que as expectativas voltem a entrar em um eixo mais favorável e somente assim acreditarmos que o crescimento do Brasil finalmente irá decolar e não continuar sendo o eterno voo de galinha que temos visto nos últimos anos.

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Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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