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Como ser um correspondente cambial?

Segundo dados do Banco Central, no Brasil há pouco mais de 4 mil correspondentes cambiais. Esses profissionais que atuam como uma extensão dos bancos e corretoras ajudam a movimentar milhões em moedas estrangeiras todos os dias.

Ao contrário do que muitos imaginam, para se tornar um correspondente cambial não é necessário ter um ponto físico para a transação de moedas. Os correspondentes cambiais não precisam ter uma casa de câmbio. Quando o profissional opta por cuidar de remessas de valores para o exterior ou a vinda de moeda para o Brasil não é necessário ter uma loja.

Também é possível trabalhar com as moedas físicas, mas nesse caso os correspondentes cambiais precisam ter um espaço para receber carro forte e que atenda aos padrões de segurança de transporte e armazenagem. Pode ser um armazém, um escritório ou mesmo uma sala comercial. “Nesse caso, o dinheiro fica concentrado em um ponto e é entregue por delivery para o cliente final com mais comodidade”, diz Bruno Foresti, superintendente de câmbio do Banco Ourinvest.

O executivo afirma que a necessidade de uma vitrine não é mais tão decisiva para os correspondentes cambiais. “Até pouco tempo as pessoas só compravam moedas e faziam negociações em uma casa de câmbio ou banco. Mas a cultura está mudando e as operações podem ser feitas de forma remota. O que vale agora é a praticidade”, explica.  

Um dos exemplos dessa mudança cultural é um correspondente do banco instalado no Rio de Janeiro, que não tem ponto fixo e trabalha com delivery de moedas. O profissional faz o trabalho de divulgação de venda de câmbio nas redes sociais, contratando até mesmo influencers para impulsionar o negócio. Uma dessas comunicações foi focada na venda de Rial, a moeda do Qtar, onde o Flamengo disputou o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro.

Como funciona

Os correspondentes cambiais podem realizar transações de até US$ 3.000, o que atende cerca de 92% do mercado nacional. Valores acima desse montante devem ser realizados diretamente no banco, mas o profissional pode indicar a operação e ser remunerado por ela.  

De acordo com Bruno, o número de correspondentes do Banco Ourinvest aumentou de forma exponencial nos últimos 12 meses e já atingiu o índice esperado para o primeiro trimestre de 2020. Na mesma toada, o volume transacionado deve encerrar 2019 com alta de 40%.  

O perfil dos correspondentes é basicamente formado por pessoas com alguma bagagem técnica do mercado financeiro, geralmente ex-funcionários de bancos e corretoras, ou despachantes que já possuem uma carteira ativa de clientes e tem domínio do funcionamento das operações.  

“A ideia é que esse profissional seja um ponto avançado do banco e tenha condições de cuidar do suporte técnico, lidar com toda a documentação e realizar fechamento do melhor câmbio para os clientes. A meta é que o atendimento seja igual ao prestado dentro do banco”, afirma o executivo.

O interessado em ser correspondente cambial deve cumprir alguns passos básicos. No Banco Ourinvest, por exemplo, o primeiro deles é fazer uma solicitação à instituição e preencher um formulário com plano de negócios e kit cadastral. O documento deve conter dados como histórico do profissional, comprovação da viabilidade econômica da operação e projeção de volume de transações.

Uma vez aprovado o projeto, o correspondente começa a ser preparado para atuar. “Nós temos treinamentos específicos de legislação, operação de sistemas, moedas operadas e vendas, por exemplo”, diz Bruno. “Caso o correspondente opte por trabalhar com moeda física, é instruído a fazer outros treinamentos e se adequar às normas de segurança do banco”, afirma.

Terminada a parte de treinamentos, o correspondente cambial é cadastrado nos sites do Banco Central e do Banco Ourinvest e pode começar o trabalho de prospecção. “É um trabalho sem remuneração fixa onde a carteira de clientes e o volume de operações definem o montante a ser recebido pelo profissional”, diz o executivo.

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Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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