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Como o Brexit pode afetar a economia global e o Brasil

Nos últimos anos você já deve ter ouvido falar sobre o Brexit muitas vezes. A abreviação para "British exit" ("saída britânica", na tradução literal para o português), que nomeia a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE) é um assunto constante e ganha novos capítulos o tempo todo. Mas afinal, o que um processo lá do outro lado do mundo pode acarretar na economia global -- e no sistema financeiro do Brasil?

Para responder a esta pergunta precisamos entender a relevância da União Europeia. O grupo é formado por 28 países europeus que praticam livre comércio entre si, além de facilitar a movimentação da população para trabalhar e morar em qualquer parte do território. Para se ter uma ideia, o bloco responde por cerca de 15% da riqueza do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China.

Depois que um plebiscito em 2016 mostrou que a maior parte da população (52%) era favorável à saída do Reino Unido do bloco, inúmeras fases de negociação aconteceram e o veredito deve acontecer em menos de dois meses. O problema é que não há acordo em muitas questões e a saída pode ser traumática.

Ao deixar a UE o Reino Unido terá que negociar novas condições para o comércio com as demais 27 nações e também com outros 52 países com os quais o bloco tem acordos preferenciais -- isso pode acarretar em uma queda de 8% do PIB do país nos primeiros anos, de acordo com previsões do Banco da Inglaterra. Entretanto, o argumento dos analistas a favor do Brexit é de que a economia pode ficar mais forte se o país tiver controle sobre sua política comercial.

Para o restante do mundo, a saída do Reino Unido pode mudar bastante coisa. “O Brexit adiciona incerteza em uma cenário global que já está incerto”, diz Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest.

Ela explica que a economia mundial passa por um período de baixo crescimento. Além da guerra comercial entre China e Estados Unidos, os países europeus também registram um momento difícil. Recentemente, o Banco Europeu divulgou um pacote de estímulos na tentativa de aquecer a economia, portanto o Brexit se mostra como uma turbulência em um cenário pouco otimista.

Apesar de o Reino Unido não ter aderido ao Euro - moeda única hoje usada por 19 países - a estimativa é que libra pode cair até 20% com o Brexit, o que pressionaria a inflação e exigiria ações do Banco da Inglaterra (banco central inglês).

Segundo Fernanda, ainda é cedo para entender a extensão da saída do país, que representa 3,3% da economia global. “O fato é que o Euro tende a ser afetado e isso causa aversão a risco. Os investidores começam mudar o destino dos recursos”, explica. “Nesse contexto, os emergentes acabam prejudicados mesmo sem ter nada a ver com a história. O Brasil está inserido nisso”, diz.

Ainda que o Reino Unido não seja um parceiro comercial de destaque do Brasil, nós devemos sentir os efeitos macroeconômicos do Brexit. Para se ter uma ideia, no ano passado o país exportou cerca de US$ 3 bilhões para o mercado britânico, quase 5% a mais que no ano anterior. A maior parte das exportações brasileiras foi de ouro em formas sem faturadas (26%), seguido de silício (5,5%) e soja (5,25%).

“Alguns setores, como os produtores de soja, podem até ser beneficiados pela mudança por conta da migração de parceiros comerciais. Mas o fato é que as exceções positivas serão poucas perto da turbulência geral”, diz Fernanda.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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