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Como driblar a situação desafiadora na Argentina e aumentar as exportações

Não é segredo que a Argentina vive um período difícil. O país vizinho já enfrentava dificuldades antes da pandemia, que veio para agravar o cenário, e caminha para o terceiro ano de recessão com uma inflação galopante e uma grave crise econômica.

O país tenta renegociar sua dívida externa com os credores internacionais, enquanto o PIB deve ter uma queda de12% e a inflação opera em níveis altos. Apesar de o governo Fernández ter obtido descontos de mais de US$ 30 bilhões nos termos do empréstimo negociado com credores, há temores no mercado financeiro de que possa ocorrer o décimo calote da dívida na história do país.

Para piorar, as reservas em moeda norte-americana estão bastante esvaziadas. Hoje, se resumem a US$ 10 bilhões. No Brasil, que tem reservas confortáveis, esse valor é da ordem de US$ 400 bilhões.

Em meio a esse cenário, empresários brasileiros relatam dificuldades de manter relações comerciais com os vizinhos. Exercendo políticas de protecionismo, há algumas semanas o governo argentino não autoriza automaticamente qualquer operação de comércio exterior. Dessa forma, o exportador precisa entrar com o pedido de licença, feito em papel, e o processo passa por autoridades para autorizar aquela operação específica. Para se ter ideia, um processo similar era realizado no Brasil em meados da década de 1980.

O travamento das transações internacionais tem acumulado muitas reclamações e mandados de segurança na Argentina e chega a inviabilizar alguns negócios por conta da demora na aprovação e excesso de burocracia.

O governo vizinho alega que tomou a medidapara controlar seu balanço de pagamento. “No futuro próximo, teremos problemasna Argentina. O Banco Ourinvest pode ajudar a desfazer alguns nós porqueconsegue fazer operações em  moeda local, eliminando uma fase do processo de controle de saída de dólares”, afirmou Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, em uma live sobre perspectivas para o comércio exterior transmitida nas redes sociais do banco. Clique aqui para assistir.

A Argentina é um dos nossos maiores parceiros comerciais. Para Barral, o segredo desse momento é ter ‘paciência estratégica’. “Temos que navegar nesse meio, com negociações democráticas e buscando modalidades de pagamento que possam evitar as travas da Argentina. Por isso, temos uma equipe preparada para ajudar no processo”, disse.

Alguns setores, como o de calçados, enfrentam problemas ainda maiores. Por conta de pedidos de indústrias específicas, o processo foi endurecido para algumas áreas. Na indústria de transformação, a queda nas exportações também está acentuada e houve uma queda de 46,3% no número de veículos enviados para o país vizinho.

Ainda que esteja passando por um momento difícil, a relação com a Argentina é inevitável. O país é um importante consumidor do nosso mercado, além de ser nosso principal fornecedor de trigo, frutas e vinho. A médio prazo, a retomada brasileira pode acabar ajudando os argentinos. Uma alta do varejo nacional pode significar mais consumo de produtos dos ‘hermanos’ e impulsionar um salto daquele país.

“Uma relação política bem estabelecida poderia ajudar nesse momento conturbado, mas sabemos que não é ocaso. Por isso, temos que  buscar soluções pontuais para cada empresário”, destacou Barral.

Balança comercial positiva: motivo para celebrar?

Mesmo com o cenário incerto com a Argentina, a balança comercial brasileira está com resultados positivos. Em agosto, foi apurado superávit de US$ 6,6 bilhões, aumento de 61% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, os números não refletem necessariamente uma boa notícia. “Precisamos ter cuidado na hora de fazer análise da balança comercial, pois não é só o saldo que importa”, disse.

Fernanda destaca que houve uma queda significativa nas importações e exportações, por conta da queda na atividade industrial como reflexo da pandemia. Além disso, o dólar em patamar alto, bem acima dos R$ 5, acaba deixando as exportações mais rentáveis e pode dar essa sensação de bom resultado.

“É importante lembrar que a receita se forma pelo preço vezes a quantidade. Se a demanda for zero, a taxa de câmbio pode ir a R$ 10 que não vai compensar. Provavelmente em 2021, haverá um reequilíbrio a depender da volta dos investimentos e aumento da importação de insumos”, avaliou a economista.

O Brasil tem o desafio de retomar a exportação de produtos industrializados, o que poderia levar a uma redução do saldo da balança comercial no ano que vem. “Essa não seria uma preocupação porque reflete a retomada da atividade”, finalizou Fernanda.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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