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Como a taxa de juros impacta no câmbio?

Toda vez que o assunto é economia, dois fatores costumam estar na pauta: taxa de juros e câmbio. Mas afinal, qual é a ligação entre esses importantes componentes do mercado financeiro? A verdade é que a taxa de juros é um dos principais fatores para influenciar o câmbio -- mas tenha em mente que não é o único.

A taxa de câmbio nada mais é que a relação entre as moedas de dois países, mas há inúmeras variáveis para compor essa conta. Uma delas é a taxa de juros. Quando o Brasil navegava em juros dois dígitos -- nem precisamos ir muito longe, em 2017, por exemplo, a Selic era de 10,25% -- os investidores traziam seus montantes para cá e compravam títulos públicos, em busca de uma lucratividade garantida. Gustavo Cunha, economista e sócio da Finlab Planejamento Financeiro, explica que naquele cenário onde os países desenvolvidos tinham taxas de juros entre 2% e 5%, valia a pena correr os riscos de uma economia emergente, por conta do diferencial de taxa de juros que garantia ganhos expressivos.

O economista avalia que com a recente redução da Selic para um patamar de 5,5% ao ano, a tendência é que haja uma gradual migração de capital. “O que temos atualmente é um cenário de taxa básica de juros em queda que faz com que o diferencial de juros em relação às principais economias diminua. Com isso, você atrai menos capital especulativo por conta dos riscos e eventualmente a moeda pode se desvalorizar porque esses investidores tendem a tirar o dinheiro do País”, explica. Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, diz que os conceitos básicos de macroeconomia defendem que taxa de juros em patamar baixo afasta investidores. “Com a Selic baixa, a lógica é que muitos investidores retirem o dinheiro do Brasil e levem para países mais seguros, como Estados Unidos e Europa”, explica.

Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, diz que os conceitos básicos de macroeconomia defendem que taxa de juros em patamar baixo afasta investidores. “Com a Selic baixa, a lógica é que muitos investidores retirem o dinheiro do Brasil e levem para países mais seguros, como Estados Unidos e Europa”, explica. Isso porque, na teoria não vale a pena assumir riscos em países emergentes, conhecidos por altas especulações, quando o retorno é pequeno.

Porém, é importante lembrar que a questão da taxa de juros não é a única que afeta o câmbio. De acordo com a economista, os fatores políticos têm um peso importante para a composição da taxa. Neste momento temos um cenário de espera pelas reformas da previdência e tributária e um embate comercial entre China e Estados Unidos.

Por isso, ainda que o diferencial de juros entre o Brasil e os países mais seguros tenha ficado menos atrativo, isso não significa que haverá uma debandada imediata. “Mesmo com a Selic baixa, muitos investidores devem manter capital no país por encarar que as reformas são um ganho institucional. Deve haver uma melhora da credibilidade e isso atrai fluxo de investimento”, diz Fernanda.

As especulações políticas do Brasil, os embates comerciais entre as duas maiores potências globais, as discordâncias políticas com a Argentina e a revisão da Selic levaram o dólar a um patamar na casa de R$ 4,10 nas últimas semanas. Para Fernanda, há possibilidade da taxa de cambio recuar. “A finalização da reforma da previdência, início de um processo de reforma tributária e continuidade d agenda de privatizações e concessões, pode trazer gradualmente a taxa da cambio para uma patamar entre US$/R$ 4,00 – US$/R$ 3,90, mas a flutuação é constante”, avalia.

Sendo assim, ainda que a taxa de juros impacte diretamente na variação cambial, ela não pode ser considerada nem vilã, nem mocinha nessa história onde há muitos outros protagonistas. O ideal para antecipar – ou mesmo compreender – as oscilações cambiais e os movimentos de ajustes da taxa de juros é ter um parceiro que te ajude neste processo.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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