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Como a nova eleição (que nem começou) já impacta a economia brasileira

Em outubro de 2022, os brasileiros irão às urnas para escolher o presidente que governará o País pelos próximos quatro anos. Mesmo faltando 16 meses para o dia da eleição, o assunto já é pauta recorrente e pode implicar na velocidade da recuperação econômica.

“Assistimos a uma antecipação do calendário eleitoral. Geralmente, essa disputa começaria um ano antes, mas o cenário está diferente esse ano”, disse Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, durante coletiva de imprensa para falar sobre os rumos da economia aos jornalistas.

Ao lado de Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, e Cristiane Quartaroli, economista do Banco Ourinvest, os especialistas do banco debateram as possíveis consequências desse embate antecipado.

“Ao que tudo indica teremos um cenário com Lula e Bolsonaro como protagonistas. Isso quer dizer que mais uma vez as discussões serão feitas com bastante polaridade. A tendência é afetar o cenário econômico como um todo, pois isso gera incerteza”, diz Fernanda.

Tradicionalmente, os anos de eleições já possuem uma agenda econômica mais lenta, justamente por conta da disputa e da volatilidade. Mas, desta vez, o calendário foi antecipado e traz com ele mais incertezas em um cenário que já conta com problemas maiores, como a pandemia.

Fernanda afirma que a confiança do empresariado acaba em uma corda bamba. “Há um desgaste natural que pode adiar a tomada de decisão. Um empresário pensa duas vezes antes de contratar, expandir e investir. Geralmente, o que acontece é um compasso de espera para entender oque vai acontecer”, avalia a economista-chefe.

É justamente nesse cenário que a economia pode perder a tão esperada força da recuperação. Depois do caos de 2020, chegamos em 2021 com uma recuperação em curso no Brasil. Para Fernanda, no entanto, a questão é saber se o Brasil tem resiliência suficiente para manter os indicadores.

De qualquer forma, os dados de atividade econômica são uma boa surpresa e os especialistas do banco acreditam ser possível que o PIB (Produto Interno Bruto) do País cresça 5% esse ano.

“É importante destacar que essa disputa presidencial é apenas mais um ingrediente em um caldeirão. Não podemos descartar os desafios conjunturais, a começar sobre como o País está lidando com a pandemia, o atraso na vacinação e uma possível terceira onda”, avalia Fernanda.

Imagem do Brasil e atraso das reformas

Barral afirma ainda que a campanha antecipada traz ao menos mais dois fatores importantes: a imagem do Brasil no cenário internacional, que segue arranhada, e a questão da disputa por holofotes para conquistar os eleitores.

“Já há uma clara sinalização que o governo atual deve fazer uma espécie de relançamento e renomear o Programa Bolsa Família. Isso pode gerar instabilidade de gastos e comprometer questões conjunturais, como a inflação”, explica.

Na avaliação dos especialistas do Banco Ourinvest, ao que tudo indica, o processo eleitoral ainda vai render muitos altos e baixos. Cada declaração polêmica tende a ganhar destaque e pode acabar desviando o foco principal.

“As reformas, tão necessárias, correm o risco de ficar em segundo plano. Isso pode comprometer a recuperação econômica tão necessária para o Brasil. Nos resta aguardar os próximos capítulos”, finaliza Barral.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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