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Como a desaceleração da economia mundial influencia no câmbio?

Como a desaceleração da economia mundial influencia no câmbio? Todo trimestre o FMI (Fundo Monetário Internacional) divulga previsões sobre a economia mundial. Em outubro, o principal órgão de economia do mundo reduziu a expectativa de crescimento global pela quinta vez consecutiva.

Agora, a estimativa é de alta de 3% este ano, ante os 3,2% divulgados anteriormente. Para 2020, a expectativa também foi reduzida e é de 3,4%. Mas afinal, como a desaceleração da economia mundial impacta na taxa de câmbio e na economia brasileira?

Segundo Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, houve uma piora da percepção do crescimento global nos últimos meses, que foi atestada no relatório mais recente do FMI. “Eventos como o Brexit e a disputa entre China e Estados Unidos elevam o grau de incerteza. Como o câmbio é uma variável que mede as relações comerciais é diretamente impactado”, explica.

Como vivemos em um mundo globalizado, é preciso conhecer as questões internacionais mais relevantes para compreender quais serão os reflexos da redução de crescimento da economia global por aqui. Fernanda destaca que a taxa de câmbio é uma das formas dos investidores medirem o risco de um país. “Quando há desaceleração da economia a variável do câmbio passa a contar mais na hora das tomadas de decisão”, diz.

Para a economista, o maior problema está na falta de definição de cenários ao redor do mundo. O embate do Reino Unido em sair ou não da Zona do Euro é uma novela que ainda não tem data para ser resolvida. Pode ser que o martelo seja batido ainda nesta semana ou ganhe novo prazo, de mais três meses

“O problema é que ainda não se sabe como isso afetará de fato a relação comercial entre os países envolvidos, nem como a economia mundial será impactada com essa nova configuração”, explica Fernanda.

No caso da disputa comercial entre Estados Unidos e China, apesar de os ânimos terem se acalmado nas últimas semanas, ainda não há definições claras sobre o que mudará. “Além disso, estamos falando de dois líderes instáveis que podem trocar de opinião a qualquer momento. Isso deixa o mercado em alerta”, afirma Fernanda.

Nessa toada, questões de balança comercial também devem ser impactadas. Afinal, com desaceleração global da economia, a China -- que em 2020 deve ter crescimento inferior a 6% pela primeira vez depois de 30 anos -- passa a demandar menos produtos, inclusive do Brasil.

Enquanto isso, cabe ao Brasil tentar se proteger internamente do cenário externo conturbado -- tudo isso enquanto lida com questões políticas por aqui. A previsão do FMI foi revisada para um crescimento de 2% em 2020, levando em consideração o cenário mundial e as incertezas da economia local. Enquanto isso, o câmbio oscila em um patamar alto, na casa dos R$ 4.

A Reforma da Previdência foi aprovada e a expectativa é que um pacote de medidas de estímulo à economia passe a vigorar, como prometido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. “Esta é uma forma de mitigar os riscos e controlar parcialmente a taxa de câmbio, mas é inevitável que a desaceleração da economia global não influencie o Brasil”, finaliza Fernanda.

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Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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