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Comércio exterior: o que esperar do cenário internacional?

O embaixador Rubens Barbosa, que por mais de duas décadas ocupou cargos no governo brasileiro como embaixador e atualmente atua como consultor de negócios, foi o convidado da live Radar Comex, realizada pelo Banco Ourinvest para falar sobre perspectivas para o comércio exterior e macroeconomia.

Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest, e Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, também participaram da conversa com o embaixador e destacaram pontos importantes sobre as relações internacionais e como o Brasil se encaixa nesse contexto.

Para Barbosa, a principal questão que rege o comércio exterior neste momento é a relação entre China e Estados Unidos. “Os dois países estão competindo pela hegemonia no século XXI. As economias americana e chinesa estão entrelaçadas e o comércio exterior entre eles é o mais importante no mundo. Todos observam essa relação de perto”, definiu o embaixador.

Ele acredita que o impasse entre as duas potências pode até ser amenizado com a chegada do novo presidente dos Estados Unidos, mas a relação difícil deve acontecer em alguns momentos.

“Eu acredito em impasses comerciais pontuais, em confrontos por questões tecnológicas e até mesmo geopolíticas. Também pode haver cooperação quando houver interesses comuns, é verdade, mas são países tradicionalmente adversários e esses desacordos impactam no mundo todo”, disse o embaixador.

Ainda que haja ruídos na relação internacional mais vigiada do mundo, Barbosa acredita que a chegada de Joe Biden ao comando dos Estados Unidos animou os investidores internacionais e trouxe uma pitada de otimismo para o setor de comércio exterior.

A verdade é que a saída do governo Trump, que foi marcado por decisões controversas e multilaterais, traz um certo alívio. Afinal, Biden tem uma política mais clara em relação aos investimentos, que privilegia pontos como a questão energética e o meio ambiente, por exemplo. “Isso já atraiu muito investimento para os Estados Unidos nos primeiros meses de 2021. O mundo começa a olhar para os americanos sem se concentrar tanto na questão da China”, diz Barbosa.

O plano de investimentos dos Estados Unidos

Os participantes da live Radar Comex concordaram que para compreender a nova ordem do comércio internacional em 2021 é preciso observar de perto as ações dos Estados Unidos. O país aprovou um pacote de estímulo no valor de US$ 1,9 trilhão para combater a emergência sanitária da pandemia e afastar o risco de recessão.

Para Fernanda, a comunidade internacional tem receio de que haja uma bolha em relação a essa injeção brutal na economia americana. "Há preocupação com a inflação e câmbio, porque esses movimentos financeiros podem afetar a força do dólar”, explicou a economista.

Segundo Barral, está havendo aumento de liquidez no mundo com esse pacote. “Isso serve para garantir a retomada do crescimento, mas o fato é que há risco de inflação global e de alta de patamar nos juros. De um lado auxilia a recuperação e de outro aumenta os riscos, especialmente para os emergentes”, avaliou o executivo.

Como fica o Brasil?

A situação do Brasil no cenário global também foi bastante comentada durante o encontro. Para Fernanda, nossa imagem lá fora está arranhada. “Foi chancelado que o Brasil é igual à aversão a risco”, disse. Os motivos principais para isso seriam a falta de coordenação política e o recente episódio de intervenção em estatal.

Na avaliação da economista-chefe, esse cenário tira o apetite do investidor e com isso a taxa de câmbio não baixa. “E isso não é de hoje. Para se ter uma ideia, em um recente relatório preparado pelo Banco Ourinvest notamos que os investimentos estrangeiros caíram 50% no Brasil ano passado”, diz.

Para Barbosa, a percepção externa sobre o Brasil não é favorável. “O comércio exterior poderia ser uma importante alavanca para ajudar na retomada e isso não está sendo aproveitado. Mesmo com a alta nos preços das commodities, sofremos com a falta de insumos e problemas de produção”, avaliou o embaixador.

Para ele, mais do que esperar resultados positivos de Estados Unidos e China e esperar uma eventual alta de demanda por aqui, é hora de arrumar a casa e atrair investimentos. “Precisamos de estabilidade política, segurança política e responsabilidade ambiental para termos espaço no cenário internacional”, afirmou Barbosa.

Ele dá um exemplo prático: “O mundo está olhando pra Amazônia e observando como o Brasil conduz essa questão. Já há fundos e empresas com restrições aos nossos produtos. Se as coisas continuarem como estão, dificilmente, não teremos sanções e isso vai tornar a recuperação mais complicada”, disse.

Já Barral resumiu: “O investimento vem quando o investidor consegue precificar o risco. Hoje, a percepção de risco do Brasil é muito alta. É simples assim. Temos que avançar para dar mais previsibilidade e para isso precisamos acelerar as reformas”, finalizou

Confira o bate papo na íntegra:


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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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