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14/1/2021

Ceteris Paribus é uma frase em latim que significa “tudo o mais constante”, ou seja, todas as outras variáveis mantidas constates. É uma condição muito utilizada nas ciências econômicas para explicar diferentes modelos ou teorias considerados como inalterados, ou seja, constantes, outros fatores que possam vir a influenciar tal modelo. Dessa maneira, os economistas utilizam muito essa frase para explicar algum modelo econômico de maneira mais simplificada. Podemos, por exemplo, explicar as teorias econômicas mantendo de fora todos os outros fatores que possam influenciar no resultado. A economia utiliza então o termo ceteris paribus para construir modelos econômicos de forma que os fatores de fora, que chamamos de “externalidades”, sejam deixados de fora do modelo.

Mas por que estamos falando disso? Justamente, por que aquele nome feião, que já cansamos de ouvir e ler – COVID-19 – é justamente algo que não conseguimos mais deixar de fora dos nossos modelos e análises econômicas. Ele já está incorporado ao nosso dia dia e possivelmente ainda vamos ouvir falar muito dele. Pior que isso! Como incluir um inimigo praticamente invisível e tão pouco constante nas projeções? Quase impossível e, por isso ao invés de fazer projeção para um futuro tão incerto, vamos tentar listar pra vocês três variáveis que consideramos importante olharmos com atenção ao longo deste ano. Vamos ver?

Primeiro vamos falar sobre os indicadores de confiança e por que são tão importantes. A disposição do consumidor em comprar e demandar produtos e serviços, bem como a intenção do empresário em investir, ou não, são partes da engrenagem para o funcionamento da economia. Por isso, os indicadores de confiança são fundamentais para se realizar qualquer análise sobre o mercado. Já dizia o velho ditado: “a confiança é difícil de ter, difícil de manter, muito fácil de perder e, uma vez perdida, quase impossível de se recuperar”. Por conta da pandemia, os indicadores de confiança do empresário e do consumidor registraram uma forte queda no ano passado e, apesar de já terem recuperado uma grande parte dessa perda, ainda não voltaram aos patamares de antes da crise e, pior, parece que voltaram a cair novamente após a segunda onda de contágio (veja no gráfico abaixo). Enquanto esses índices não melhorarem, vai ser difícil vislumbrar uma melhora mais robusta da economia como um todo.

A segunda - e não menos importante - variável que queremos apresentar aos leitores é a nossa corrente de comércio, ou seja, a soma das nossas importações com as exportações, que também sofreu um bocado com a crise (veja no gráfico ao lado). Tivemos uma queda de mais de 8% em nossa corrente de comércio em 2020 e, por sorte, fomos favorecidos pelo bom desempenho das importações das nossas commodites agrícolas. No fim do dia, foi que sustentou o comportamento de nossa balança comercial no ano passado, pois ainda perdemos muita competitividade nos produtos manufaturados. Então, embora essa queda tenha sido menor do que a observada na crise de 2015 (até porque hoje nossa abertura econômica é maior), ainda há um longo caminho a percorrer para que voltemos aos patamares de antes de crise. Isso vai depender muito da evolução da pandemia após o início da vacinação em todos os países que são nossos parceiros comercias.

Por fim, vamos falar de uma variável não mensurável - as reformas estruturais do nosso país. Não vamos entrar no mérito político em si, mas em um assunto que sempre comentamos em nossos relatórios e podcasts, que é a coordenação política entre nossas autoridades. O que presenciamos em 2020 foi exatamente o oposto. Vimos a esfera federal em desacordo com estados e vice-versa; legislativo x executivo; prefeitos x governadores.... e por aí vai. Tudo o que não precisaria acontecer quando justamente o que precisávamos era de união. Não teve! E se a tal coordenação não aparecer neste ano também, não haverá ambiente político para aprovação de qualquer reforma no Congresso, deixando o pano de fundo da nossa economia ainda mais nebuloso perante os investidores. Sem investimentos, dificilmente, vamos ver nossa economia decolar. As reformas são fundamentais para isso.

Claro que há muitas outras variáveis, não menos importantes que essas três que listamos acima, para acompanharmos ao longo deste ano. Mas se as expectativas melhorarem, a corrente de comércio voltar a fluir e as reformas saírem do papel já será um grande começo. Ceteris paribus, claro.

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Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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