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As intervenções do Banco Central e como elas impactam na taxa de câmbio

O Banco Central (BC) é o responsável pela administração dos meios de pagamento no Brasil e órgão emissor da moeda nacional, além de ser a instituição que atua para manter a inflação sob controle e garantir que o sistema financeiro seja seguro e eficiente.

Para isso, o BC usa instrumentos chamados de natureza monetária, ora elevando a oferta monetária (expansão monetária) para injetar dinheiro na economia -- com objetivos como aquecer a atividade econômica e reduzir o desemprego -- ora reduzindo essa oferta (contração monetária), em um movimento que visa o controle da inflação. Junto disso, o BC opera via juros, estimulando o consumo e o investimento quando os juros são reduzidos e contendo o cenário ao elevar as taxas.

Além dessas medidas estruturais, o BC também pode atuar na tentativa de controlar o mercado cambial de três formas: com swap cambial, leilão de linha e venda à vista. No último mês, essas formas de intervenção foram bastante utilizadas. Isso porque fatores como a guerra comercial entre Estados Unidos e China, a expectativa de que a economia mundial entre em recessão e as recorrentes instabilidades políticas no Brasil colaboraram para a alta do dólar, não só frente ao real, mas em relação às moedas de outros países também.

Com o cenário de lado, o BC precisou intervir. Como não há prazo e limite de vezes para que esses mecanismos sejam usados, nem um montante máximo de dinheiro envolvido, houve uma leva de intervenções.

Segundo Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, o fator surpresa é uma arma do BC quando o assunto é o mercado de câmbio. “O regime cambial adotado pelo Brasil permite que essas intervenções sejam feitas sempre que o BC julga necessário”, explica.

Ela afirma que normalmente quando o dólar ultrapassa os R$ 4 o mercado começa a esperar alguma iniciativa de controle do BC. “Mas não há uma regra de bolso para isso”, diz.

Para Eduardo Mekitarian, professor de Economia da FAAP (Faculdade Armando Alvares Penteado), os instrumentos utilizados pelo BC para o controle de câmbio são extremamente úteis para reduzir riscos. “A política monetária do BC é mais eficaz no curto prazo e ajuda a minimizar as incertezas quanto à economia doméstica. Afinal, a política fiscal requer tratativas com o Congresso e é mais difícil de ser executada”, diz.

A seguir, você confere uma explicação sobre como funciona cada mecanismo de intervenção cambial do BC.

Swap Cambial:

Geralmente é a modalidade mais usada pelo BC. Consiste na venda de moeda no mercado futuro, o que na teoria reduz a pressão sobre a alta da moeda e garante que não haja perda de reservas internacionais. O BC oferece um contrato de venda de dólares, com data de encerramento definida, mas não entrega a moeda norte-americana. No vencimento desses contratos, o investidor se compromete a pagar uma taxa de juros sobre o valor deles e recebe do BC a variação do dólar no mesmo período.

Leilão de linha:

Também é bastante usado e funciona com a mesma lógica de um empréstimo. O BC tem as reservas, repassa câmbio para os "dealers" (grandes bancos e corretoras) e estipula um compromisso de recompra desse dinheiro após um determinado período. O dinheiro sai das reservas internacionais, mas o comprador precisa devolver os dólares depois de um tempo e ainda pagar uma taxa de juros pelo "uso" desse dinheiro "emprestado". A liquidez de dólares no mercado aumenta apenas temporariamente e as reservas não sofrem alteração na prática.

Venda à vista:

Esta é a modalidade menos utilizada, pois o BC vende reservas internacionais sem compromisso de recompra. O dinheiro é injetado no mercado. Em agosto deste ano houve uma venda depois de dez anos sem o BC lançar mão da ferramenta. A ideia é não usar a venda à vista para proteger as reservas, que hoje passam de US$ 380 bilhões dólares, e evitar desconfiança em relação à fragilidade financeira do país.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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