Blog

Ano Novo Chinês: os motivos que levam a China a festejar

O feriado do Ano Novo chinês é considerado o evento com a maior migração humana anual do mundo. Para se ter uma ideia, a movimentação financeira na China nas semanas que antecedem o feriado chega a US$ 150 bilhões. Com a pandemia, deve haver redução de público este ano, mas a mudança do calendário lunar, celebrada no dia 12 de fevereiro, ainda atrai a atenção do mundo por suas dimensões.

A meta chinesa é vacinar 50 milhões de pessoas antes do feriado com o objetivo de garantir proteção nos deslocamentos. E os números superlativos não param por aí. A festa tradicional também celebra este ano um momento decisivo na China, país que deve ter forte recuperação econômica e que está cada vez mais perto de ultrapassar os Estados Unidos para se tornar a maior economia do mundo.

Como está a economia na China?

A previsão é que a economia chinesa avance 9% em 2021, enquanto os norte-americanos devem recuperar 4%. A segunda maior potência do mundo tem se recuperado gradativamente do baixo crescimento observado nos primeiros meses de 2020, quando foi impactada pela pandemia e registrou um tombo de 6,8%. Ainda assim, deve fechar o ano com um crescimento próximo a 2%, enquanto a maioria das principais economias do mundo continuam sofrendo as consequências da pandemia de Covid-19. Esse resultado do PIB chinês estaria bem abaixo do crescimento de 6,1% registrado em 2019, mas seria de qualquer forma um fechamento positivo em um ano totalmente atípico.

Para estar na ponta do crescimento, o governo chinês implementou uma série de medidas ao longo dos últimos meses, como aumento dos gastos fiscais, redução de impostos e cortes nas taxas de empréstimos para estimular a economia e garantir os empregos.

Segundo Welber Barral, estrategista de Comércio Exterior do Banco Ourinvest, depois de ser duramente criticada pela falta de transparência em relação ao coronavírus, a China contou com um importante fator para se recuperar: seus cidadãos.

“O cumprimento voluntário das medidas de isolamento nos países asiáticos ajudou a conter os números da pandemia e a amenizar os danos. A população ajudou a economia”, diz. Testes de detecção em larga escala e o acompanhamento dos casos de contato também ajudaram o país, e restringiram a epidemia comparativamente aos países ocidentais.

Além disso, a agressividade econômica do governo local colaborou para um desempenho positivo do gigante asiático. “Foram lançados grandes investimentos públicos de estímulo ao consumo e incentivos aos gigantescos projetos de infraestrutura”, explica Barral.

A estratégia chinesa surpreendeu alguns economistas, pois foi na contramão da lógica dos países ocidentais de apoiar a demanda. A China se concentrou nos investimentos e no consumo interno. “Foi uma estratégia acertada, mas que não é aplicável a qualquer país. Enquanto a maioria sofreu pela queda da demanda, a China incentivou investimentos públicos. O que só é possível pela situação fiscal, pelo volume de poupança e de reservas do país”, avalia Barral.

Comércio exterior: relação Brasil e China

Segundo o estrategista, a recuperação acelerada da China pode ser interpretada de duas formas no Brasil: uma oportunidade de crescimento ou um aumento de dependência. O destino asiático já responde por 30% das nossas exportações e isso pode aumentar ainda mais, o que pode ser um problema.

Como a China está entre os destinos em rota de recuperação mais rápida, a tendência é que nossos produtos sejam demandados e a pauta de diversificar as exportações poderá ir para a gaveta mais uma vez. “Há duas décadas, vivemos esse dilema de diminuir a dependência e vemos as exportações para a China crescendo, para os Estados Unidos estáveis e para a América Latina caindo”, diz Barral. “É difícil romper esse ciclo”.

Mas por que isso é negativo? Porque a maior parte dos nossos produtos que vão para a China são commodities e o valor agregado é baixo. Já a América Latina, que deve perder ainda mais a relevância na nossa balança comercial este ano por conta da situação econômica da região, é o destino principal dos produtos manufaturados com maior valor agregado.

“Nossos vizinhos latino-americanos, que são nosso mercado natural para manufaturados, foram muito impactados e terão lenta recuperação. A balança comercial deve seguir positiva, mas o valor agregado dos produtos tende a ser prejudicado. O objetivo continua sendo diversificar os destinos para produtos manufaturados, mas a questão da pandemia torna essa tarefa ainda mais desafiadora”, afirma o estrategista.

Justamente para auxiliar importadores e exportadores na tomada de decisão, o Banco Ourinvest conta com uma mesa de especialistas aptos para auxiliar na conquista de novos mercados. Confira nossos serviços!

No items found.

Siga o Banco Ourinvest

Logo LinkedinLogo FacebookLogo InstagramLogo TwitterLogo YoutubeLogo Spotify

Conteúdos relacionados

15/9/21

Blog

5 coisas que você deve saber sobre o IBAN

Ao tentar realizar transações internacionais é natural que você se depare com inúmeras siglas, que podem dar a impressão equivocada de qu...

Leia mais

9/9/21

Blog

7 podcasts sobre economia e negócios que você não pode perder

Mais de 35 milhões de brasileiros já são adeptos aos podcasts, segundo uma estimativa recente da Associação Brasileira de Podcasters...

Leia mais

Categorias

Nossa equipe de economistas

Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

Veja mais

Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

Veja mais

Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

Veja mais