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7 fatos que você precisa saber sobre a inflação

Toda vez que você vai ao mercado e nota a diferença nos preços dos alimentos, ou percebe os valores mais altos na hora de abastecer o carro, e observa alterações na conta de energia elétrica, há um ponto em comum: a inflação.

A palavra já é velha conhecida dos brasileiros, mas você sabe os conceitos básicos que estão por trás dela? O Blog Ourinvest ouviu Cristiane Quartaroli, economista e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, e preparou um guia rápido com os principais pontos sobre inflação. Confira a seguir:

 

1- O que é inflação?

De acordo com o Banco Central, a inflação é o aumento dos preços de bens e serviços. Ela implica em diminuição do poder de compra da moeda.

Por exemplo, vamos imaginar que você queira comprar um par de óculos de presente de aniversário para seu namorado e comece aguardar dinheiro, com base no valor atual, para fazer isso daqui a seis meses.

O seu capital, ainda que represente a mesma quantia, pode não ser suficiente para comprar os óculos item na data desejada. Ou seja, o dinheiro passa a valer menos em um determinado período e há uma redução do seu poder de compra.

 

2- Como a inflação é medida?

Cristiane explica que a inflação é medida pelos índices de preços. O índice oficial de inflação do Brasil é o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) desde 1995.

O IPCA é calculado com base em uma cesta de produtos separados em categorias como alimentação, transporte, vestuário, entre outras.

O índice tem por objetivo medir a inflação deum conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias com renda mensal entrede1 e 40 salários mínimos.

Esta faixa de renda foi criada com o objetivo de garantir uma cobertura de 90% das famílias pertencentes às áreas urbanas do país. Os dados são coletados e divulgados mensalmente.

 

3- Quais são os itens que impactam mais no cálculo da inflação?

“Os preços dos alimentos e transportes(incluindo combustíveis) são os itens que mais impactam no comportamento dos índices de preços, por serem itens essenciais e, portanto, possuem um peso maior na composição dos índices de inflação”, explica a economista.

 

4- O que causa a inflação?

Existem três causas que podem estar associadas ao crescimento da inflação:

 

- Descompasso entre a oferta e a procura

Quando a procura é muito maior do que a oferta de um determinado produto, o seu preço aumenta; quando é muito menor, seu preço diminui.

Assim, quando a população possui uma maior renda ou mais crédito para comprar, há um aumento súbito da procura que geralmente não é acompanhado pela oferta, o que eleva os preços e intensifica a inflação.

 

- Aumento dos lucros privados

Quando uma empresa consegue o monopólio ou um amplo controle de um produto ou setor do comércio, ela passa a controlar a variação de preços nesse setor. Assim, como o objetivo principal do sistema capitalista é o lucro individual, os empresários dessa instituição vão procurar aumentar ao máximo os preços, haja vista que não há concorrência para forçar uma queda.

 

- Aumento rápido dos custos de produção

Quando as empresas sofrem com um rápido aumento no custo da produção de suas mercadorias, seja com aumento repentino de salários, excesso de dívidas e aumento intensivo de impostos, elas tendem a repassar esse custo ao consumidor. Assim, novamente os preços elevam-se e a inflação sobe.

Outro fator associado é o aumento dos gastos com matérias-primas. Se o preço delas eleva-se por algum motivo (escassez, controle dos fornecedores, alta do dólar ou razões políticas), o custo dos produtos tende a aumentar, puxando a inflação para cima.

 

5- Por que a inflação é importante para economia?

Segundo Cristiane, a inflação determina o poder de compra de uma população. “Manter a inflação baixa é fundamental para garantir estabilidade econômica. Quando há previsibilidade, as famílias e as empresas podem planejar melhor seus gastos e investimentos e a confiança na economia aumenta. Além disso, a inflação elevada gera incerteza na economia, desestimulando o investimento e prejudicando o crescimento econômico”, diz.

 

6- Quais são as principais formas de controlar a inflação?

Existem algumas formas do governo controlar a inflação, mas o principal instrumento de curto prazo é a política monetária, ou seja, a política de juros do Banco Central. “Esse é o instrumento mais rápido, mais utilizado e é o que o Banco Central tem feito desde que a inflação disparou ao longo da pandemia”, afirma a economista.

Ao aumentar os juros, o consumo é reduzido e consequentemente os preços deverão ser ajustados à nova demanda, que será menor. A consequência disso é uma redução nos preços.

“Além dos juros, o controle das contas fiscais (via políticas públicas) é outro instrumento de controle inflacionário. E, por fim, a melhora do risco-país também pode ser uma forma de controle inflacionário, já que esse risco país impacta diretamente na taxa de câmbio, que é uma das vias de transmissão da inflação. Quanto menor o risco-país, menor a taxa de câmbio, menor a inflação”, explica Cristiane.

 

7- Como a inflação global impacta no índice nacional?

A inflação global impacta o índice nacional via: expectativas ou aumento da inflação em outros países. “Por exemplo, se a inflação dos Estados Unidos sobe, isso implica em aumento do dólar que, consequentemente, contribui para pressionar a inflação brasileira”, diz a economista.

 

 

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Fernanda Consorte

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Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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