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5 coisas que você precisa saber sobre comércio exterior

A balança comercial é o resultado entre o volume de produtos exportados e importados por um país. No Brasil, o forte das exportações está nas commodities e o principal debate é como agregar mais valor nos produtos que enviamos para nossos compradores estrangeiros. Mas afinal, o que você precisa ficar de olho para entender quais são as oportunidades e desafios quando o assunto é comércio exterior?

Preparamos um guia rápido com perguntas e respostas com a ajuda de dois especialistas no assunto: Álvaro Barrantes Hidalgo, professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco e Fernanda Consorte, economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest. Confira a seguir!

Quais são as expectativas de balança comercial para o Brasil em 2019 e 2020?

A expectativa do mercado é de uma balança comercial de US$ 52 bilhões para este ano e de US$ 47 bilhões para ano que vem. Esta retração prevista para 2020 pode ser explicada porque os dois maiores parceiros do Brasil, China e Estados Unidos, estão passando estão por um cenário de desaceleração econômica. Além disso, os dois países vivem uma guerra comercial e isso pode fazer com que as empresas adiem as decisões de investimento. Outro ponto que pode afetar nossa balança comercial é que o mercado-latino americano, em especial a Argentina, também não vive um bom momento. Para este grupo de países, que são nossos importantes compradores, é estimado um crescimento econômico de menos de 1% em 2019, enquanto para a economia global a alta prevista é de 3,2%. Com os principais parceiros comprando menos, o Brasil tende a exportar menos e o salda da balança comercial fica comprometido. Além disso, a expectativa é que a taxa de câmbio seja um pouco menor em 2020, por conta de menos volatilidade e melhora do cenário de Brasil. Isso também pode colaborar para desequilibrar a balança comercial.

Como a proposta da Reforma Tributária pode influenciar nas questões de comércio exterior?

Este é um importante agente para ser observado. A aprovação da Reforma Tributária ou mesmo da MP da Liberdade Econômica pode influenciar a percepção institucional sobre o Brasil, o que deve ser bem visto por investidores. Isso é bom, afinal temos índices preocupantes que nos colocam como um dos países mais burocráticos do mundo. Entre os tópicos analisados por investidores está o tempo gasto para pagar impostos no Brasil, por exemplo. É fato que o sistema tributário brasileiro é um tanto complexo e encarece a produção dos bens. Por isso, notícias como uma eventual aprovação da Reforma Tributária e até mesmo a Reforma da Previdência são bem recebidas pelo mercado.

Qual o caminho para desenvolver o comércio exterior brasileiro?

O Brasil possui um desafio no seu grau de abertura (índice formado pela soma das importações e exportações dividido pelo PIB). Atualmente, o grau de abertura econômica do Brasil é da ordem de 23%, enquanto a média mundial é de 43%. Para desenvolver isso, alguns pontos devem ser levados em conta. O primeiro deles é a necessidade de melhorias de infraestrutura. Não é o bastante buscar novos acordos comerciais quando nossos portos e rodovias não têm condições necessárias para atender um aumento de demanda. A redução do chamado custo Brasil, que engloba nossa carga tributária, também é essencial para que os produtos nacionais sejam mais competitivos. E outro ponto é a questão cambial, que deve ser realista a fim de manter a remuneração real do exportador. Além disso, a procura por novos parceiros comerciais deve ser constante. O país passou muito tempo com sua economia relativamente fechada ao comércio exterior e voltada mais para o mercado interno com uma indústria protegida. Por isso, há uma necessidade de abertura comercial para que o país consiga aproveitar os benefícios do comércio internacional, como a vinda de mais investimento direto estrangeiro e de conhecimento tecnológico.

Quais acordos comerciais merecem destaque?

Recentemente, após 20 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia acordaram realizar uma associação com muito potencial para o comércio entre ambos os blocos. O acordo é significativo não apenas pela sua dimensão -- cria um mercado de mais de 700 milhões de habitantes e de quase 25% do produto mundial -- mas também pelos assuntos que abrange, incluindo não apenas compromissos sobre comércio, mas também cooperação e diálogo político. No âmbito comercial o acordo prevê a liberalização de 92% das importações europeias, enquanto o Mercosul, de forma gradual, deverá liberalizar 91% das importações da Europa.

O que o pequeno e o médio empresário devem ficar atentos quando o assunto é comércio exterior?

A Reforma Tributária e a guerra comercial entre China e Estados Unidos devem dominar o noticiário sobre comércio exterior por mais alguns meses. Os efeitos práticos disso incluem uma possível desburocratização (ainda que sem prazo para acontecer) para exportações e importações, além de brechas de comércio para suprir uma eventual demanda dos maiores compradores do mundo. E mais: pesquisas realizadas no Brasil mostram que há maiores níveis de produtividade nas empresas exportadoras do que nas que não exportam. Assim, as empresas de pequeno porte e médio que ainda não se inseriram no comércio exterior devem analisar as atividades e começar a procura por novos mercados, a fim de se qualificar, aumentar a eficiência e a produtividade para ter sucesso em mercados estrangeiros.

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Fernanda Consorte

Economista-chefe

Economia para todos é o lema da Fernanda. Com ampla experiência no mercado financeiro, conhecimento técnico apurado e linguagem simples, a autora contribui para a tomada de decisão de clientes e empresas que necessitem desse suporte.

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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