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3 formas de proteger sua empresa de oscilações cambiais

A instabilidade do dólar não é mais nenhuma surpresa para quem negocia em moeda estrangeira. Mas nos últimos meses, a oscilação atingiu patamares históricos e até mesmo as empresas que já estão acostumadas com altas e baixas precisaram rever as estratégias.

Fatores globais como a pandemia, a guerra comercial entre China e Estados Unidos e a troca da principal cadeira americana, atrelados à situação econômica delicada do Brasil, à instabilidade política, intervenções contraditórias em estatais e aos problemas para combatera crise sanitária e de saúde instaurada pelo coronavírus, também colaboraram para o cenário mais dramático para importadores e exportadores.

Por isso, o Banco Ourinvest, especialista em câmbio há mais de quatro décadas, ouviu especialistas e preparou uma lista com opções para ajudar as empresas a se protegerem minimamente das oscilações cambiais.

Cenário macro

O primeiro passo é compreender o cenário amplo. Mas, afinal, por que isso é importante? Empresas importadoras e exportadoras fazem negociações em moeda estrangeira o tempo todo e geralmente os contratos são fechados meses antes da entrega ou envio dos produtos.

Na prática, isso quer dizer que um negócio fechado em dólar hoje pode valer mais ou menos quando for concretizado no prazo final estabelecido.

Com isso, custos básicos como mão de obra e aquisição de insumos ficam comprometidos e o empresário precisa lidar com a variável da volatilidade o tempo todo, além das questões já inerentes ao seu negócio de fato.

Para se ter uma ideia, em 2020 o dólar teve uma variação perto de 30%. Começou o ano em R$ 4,02 e fechou em R$ 5,18.Isso quer dizer que o real perdeu 30% do seu valor de compra em relação ao dólar.

Em 2021, o movimento parece similar. Amoeda mais negociada do mundo abriu janeiro cotada a R$ 5,26, já teve picos de quase R$ 6 e depois da baixa da taxa de juros tem flutuado na casa dos R$ 4,95.

“O ano começou com o dólar em viés de baixa, com a segunda onda da pandemia e os fatores internos a moeda foi pressionada e agora novamente está em patamares mais baixos. É impossível prever qual será a cotação ao final do ano. Por isso, é importante que os empresários se protejam dessas oscilações”, avalia Fernanda Consorte, economista-chefe do Banco Ourinvest.

Hedge cambial

Entre as alternativas para essa proteção está o hedge cambial. A ferramenta, cada vez mais buscada por empresários da área de comércio exterior e, também, por pessoas físicas que fazem transações internacionais, é capaz de realizar uma trava de câmbio.

Em suma, a taxa de câmbio fechada no a toda contratação do hedge é garantida ao empresário pelo prazo pré-determinado e ele não precisa se preocupar com as variações. Dessa forma, pode trabalhar todos os seus custos e recebimentos futuros com base em um valor fixo.

Segundo Bruno Foresti, superintendente de Câmbio do Banco Ourinvest, com o hedge cambial é possível ter uma maior previsibilidade de custos e recebimentos em moeda estrangeira. “Em um cenário de comércio global dinâmico, as margens são cada vez mais apertadas e correr o risco de perder 2%, 3%, 4% da sua margem por conta de variações cambiais pode ser evitado”, explica.

Não há valores mínimos ou máximos para operações de hedge cambial. “Nós ajudamos o cliente a decidir quanto do montante ele quer proteger e encontramos a melhor opção para cada tipo de negócio. A ideia é que o cliente possa focar na essência de sua operação, em vender seus produtos, e nós cuidamos da taxa cambial”, diz Foresti.

Para Bruno, no cenário atual essa é a melhor forma para proteger a empresa das oscilações cambiais e cada empresa pode definir o melhor tipo de hedge para seu negócio. “É importante lembrar que a atual taxa de juros brasileira, a Selic, torna o custo do hedge mais barato e atrativo”, finaliza.

ACC e ACE

Outra forma de proteger sua empresa das variações cambiais é realizar operações de antecipação de recebíveis. Esse é o papel do ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), modalidade em que o empresário nacional procura um banco autorizado a operar em câmbio e pede um financiamento para a fase de produção ou pré-embarque.

Essa modalidade ajuda os empresários a arcar com matéria-prima, folha de pagamento dos funcionários e custos gerais da produção antes do embarque das mercadorias. O exportador pede ao banco o adiantamento do valor em reais correspondente ao contrato de câmbio já firmado com o importador e, além de receber o montante, também fixa a taxa de câmbio da sua operação.

No caso do ACE(Adiantamento sobre Cambiais Entregues), também há uma antecipação de recebimentos de uma exportação, mas esse valor só é concedido após o embarque.

Segundo Fabiano Branco da Silva, gerente de Negócios Internacionais do Banco Ourinvest, esse formato é indicado para empresas que já têm caixa para produzir a mercadoria. “Os exportadores que querem receber os pagamentos de forma imediata e garantir um câmbio fixo podem usar o ACE”, explica.

De acordo com o executivo, a operação de ACE ajuda na composição de fluxo de caixa das empresas exportadoras, além de garantir um câmbio fixo. “Afinal, elas não precisam ficar esperando, 60, 90, 120 dias ou até mais para receber os pagamentos e sujeitas às temidas oscilações do câmbio. Tudo fica acertado no momento do embarque e o exportador já pode partir para um novo negócio”, explica.

Vale ressaltar, que o Banco Ourinvest realiza a análise dos importadores antes de conceder o ACE e, caso ocorra inadimplência, é feita a cobertura de risco, ou seja, não há cobrança da devolução dos recursos antecipados para o exportador. Essa modalidade auxilia o exportador a aumentar o faturamento, concedendo prazo, sem aumentar o risco de inadimplência e não comprometendo seu fluxo de caixa.

Ampliar o parque local de fornecedores

A terceira dica dos especialistas é a ampliação do parque de fornecedores e também de possíveis clientes. Isso vale tanto para importadores, como para exportadores. Apesar das transações internacionais estarem atreladas ao dólar, reduzir a dependência de alguns destinos pode ser interessante nesse momento.

Dessa forma, as negociações podem ser diluídas e os eventuais problemas com um cliente ou fornecedor não chegam a comprometer o negócio como um todo.

Casar o uso de ferramentas, como a busca por novos fornecedores e a contratação de hedge cambial para o fechamento de contratos, também é uma das saídas para reduzir o temor à oscilação da moeda americana.

Explorar mais o parque de fornecedores locais, obviamente quando for possível, também pode ser uma saída. Afinal, coma alta da moeda americana muitos fornecedores brasileiros que antes eram desconsiderados por não terem preços competitivos agora podem estar com valores mais atrativos por conta da variação da moeda.

Por isso, é um bom momento para passar um pente fino na lista de fornecedores e clientes internacionais e buscar as melhores oportunidades para o cenário atual.

Nesse contexto, contar com uma assessoria é um grande diferencial. O Banco Ourinvest tem experiência de mais de quarenta anos em comércio exterior e pode auxiliar os empresários a encontrarem alternativas competitivas, fazer a ponte com os clientes, ajudarmos contratos e estruturar hedge com a moeda local. Conte com o nosso time de especialistas!

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Cristiane Quartaroli

Economista

Economista formada pela USP, com mais de 15 anos de experiência nas área de Economia e Finanças, com foco em análise macroeconômica, resultando em amplo conhecimento do mercado bancário.

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Welber Barral

Estrategista de Comex

Mestre em relações internacionais (USFC), Doutor em direito internacional (USP) e pós-doutor em Direito do comércio internacional (Georgetown University), Barral foi secretário de Comércio Exterior do Brasil de 2007 a 2011. Atualmente é, também, diretor no Departamento de Comércio exterior da FIESP e conselheiro da Câmara de Comércio Americana.

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